quinta-feira, janeiro 18

Muita Merda!


No âmbito da cadeira de T.P.T., estreia-se o 3º A com um exercício inédito na escola. A apresentação de excertos de várias Tragédias que vão de Ésquilo a Jean-Paul Sartre. O ponto de partida foi o Teatro Pobre de Grotowsky. O resultado final é hoje apresentado às 19.00h, na EPTC.


Muita merda, miúdos!

Receita para um Exercício de T.P.T.

Ingredientes
100 gr. de Ajax
100 gr. de Medeia
100 gr. de Hipólito
1 Prometeu Agrilhoado
1 Ifigénia em Áulide
1 tragédia clássica
1 Euménides
1 dl. de Édipo tinto
1 Agamémnon

Salada
Folhas de Troianas variadas
1 molho pequeno de Antígona

Molho
2 c. sopa de Eurípides
1 c. sopa de Sófocles
1 c. de sobremesa de Esquilo

Confecção
Picam-se grosseiramente o Ajax, a Medeia e o Hipólito. Tiram-se os grilhões ao Prometeu. Espalma-se bem. Limpa-se a tragédia de peles e ossos, abre-se com uma faca afiada e retira-se o coro. Estufam-se os 300 grs de tragédias picadas num refogado de Euménides em cubos pequenos com alho. Refresca-se com o dl. de Édipo tinto. Quando tiver evaporado quase todo, recheia-se a tragédia com este picado e fecha-se com fio de culinária. Vai ao forno numa cama de Agamémnon em juliana e uma Ifigénia, limpa de Áulide, às rodelas.
Assa durante muitas horas de ensaios, virado de vez em quando pela mão do professor. Regar com conselhos, indicações e exercícios. Quando estiver quase assado, estende-se por cima o Prometeu espalmado e pincela-se com gema de ovo. Volta ao forno a corar, durante 10 minutos. Quando estiver bem dourado, retira-se do forno e deixa-se repousar durante um ensaio geral.
Entretanto, numa tigela pequena, juntam-se e batem-se bem o Eurípides, o Sófocles e o Ésquilo.
Fatia-se o assado e emprata-se, dispondo três fatias no centro de um palco, rodeadas de uma salada de Troianas e Antígona, temperada com Fedra, Sartre e pimenta. Fazer passar um fio do molho na borda do palco, de forma a criar uma moldura que rodeie os alimentos. Finalmente, polvilha-se com um pouco de Racine, moído no momento, Serve-se bem quente a um grupo de comensais.
Bom apetite!

Poetas...

"É preciso ler os poetas
na sua língua
com rodelas de tomate
e um fio de azeite
ao correr de cada verso."

José Fanha

Requisitos para uma Boa Cozinha

Primeiro que tudo, é preciso manter um lume permanentemente aceso, Depois, um fornecimento constante de água a ferver. Em seguida, um chão sempre limpo. Depois, é a vez dos utensílios para limpar, moer, desossar, pelar e cortar. Seguidamente, um dispositivo para manter a cozinha livre de odores, enriquecendo-a com uma atmosfera limpa e sem fumos. E música, porque os homens trabalham melhor e mais alegremente quando há música. Por fim, um aparelho para eliminar as rãs dos barris de água potável.

Leonardo da Vinci, Notas de Cozinha, códice Romanoff

quarta-feira, janeiro 17

Antes de começarem...

Monografia - trabalho escrito acerca de determinado ponto da história, da arte, da ciência ou sobre uma pessoa ou religião.

A Invenção da Cozinha

A fogueira de lenha do Homem de Pequim, sucessor do Australopitecos foi inventada em consequência da sua habilidade para fabricar utensílios de pedra. Pensa-se que uma pedra, ao chocar com uma outra pedra, terá lançado uma faísca que caiu num tapete de folhas secas onde dormia um nosso antepassado. Produziu-se desta forma uma chama e, assim, descobriu-se e controlou-se o fogo. Foi aliás uma invenção bem oportuna uma vez que a Terra se aproximava de um novo período glaciar.
À medida que o clima se tornava gélido, os animais cobriam-se de pêlos grossos e a sua carne, depois de mortos, congelava rapidamente. O fogo veio dar solução a este problema, sendo utilizado para descongelar os alimentos. Só mais tarde começaram a ser cozinhados.

Ode à Cebola


Cebola,
luminosa redoma,
pétala a pétala
formou-se a tua formosura,
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra sombria
arredondou-se o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
deu-se o milagre
e quando apareceu
teu rude caule verde,
e nasceram
as tuas folhas como espadas no horto
a terra acumulou seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar distante
duplicou a magnólia
levantando-lhe os seios,
a terra
fez-te assim,
cebola,
clara como um planeta,
e destinada
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
dos pobres.

Generosa
Desfazes
teu globo de frescura
na consumação
fervente do cozido,
e o girão de cristal
ao calor inflamado do azeite
transforma-se em ondulada pluma de ouro.

Recordarei também como a tua influência
fecunda o amor da salada
e parece que contribui o céu
dando-te a fina forma do granizo
a celebrar a tua luz picada
sobre os hemisférios de um tomate.
Mas ao alcance
das mãos do povo,
regada com azeite,
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolta
em delicado
papel, tu sais do solo,
eterna, intacta, pura
como semente de astros,
e ao cortar-te
a faca de cozinha
sobe a única lágrima
sem mágoa.
Fizeste-nos chorar mas sem sofrer.
Tudo o que existe celebrei, cebola,
mas para mim és
mais formosa que um pássaro
de plumas ofuscantes,
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina,
baile imóvel
de anémona nevada

e a fragância da terra inteira vive
na tua natureza cristalina.
(tradução de José Bento, in Antologia de Pablo Neruda, editorial Inova, 1973 - As mãos e os frutos)

Entre Tachos e Actores


Vinda de tempos obscuros em que a tecnologia assentava numa varinha mágica, um caldeirão e um livro de poções, quero desde já prestar o meu tributo ao meu colega Miguel Desgraça pela ideia, concepção e desenvolvimento tecnológico e bloguístico deste espaço, que se deve à sua muito competente iniciativa.
Assim sendo, também declaro aberta esta cozinha em que, por artes da alquimia, tentaremos ajudar os aspirantes a actores/colheita de 2007 a elaborarem aquele tratado de gastronomia teatral que esperamos que as PAPs venham a ser. Trabalhando entre tachos e actores, estamos aqui para fornecer toda a informação e apoio necessários para o trabalho que vão desenvolver, receber os vossos comentários e dúvidas, contando ainda com a colaboração sempre bem-vinda de colegas que queiram dizer de sua justiça. Os resultados dos vossos esforços, esses, esperamos por eles nas nossas caixas do correio, não aqui.
Prometemos tentar combinar tudo numa poção que, lá para Junho ou Julho, resulte em opíparo repasto a ser servido a amigos, convidados – e júri, lamento! – para satisfação geral.

Sinopses

Quem ainda não o fez, envie-me imediatamente as sinopses das personagens trágicas. As apresentações são amanhã e depois, não se esqueçam!

Bem-vindos

Está bem.
Começo eu.
Este é o blog d’ A Cozinha (a PAP deste ano, para os mais distraídos). Pela parte que me toca, sejam bem-vindos. O blog foi feito para vocês, de maneira que usem e abusem dele.
Estamos a 17 de Janeiro, o que quer dizer que nos próximos cinco meses (mais coisa, menos coisa) eu e a sinistra Bruxa das PAPs vamos andar por aqui (e pela EPTC, obviamente) a dar-vos cabo da cabeça.
Nada a que as meninas e os meninos não estejam habituados, certo?
Enfim...
Ainda estamos no início.