sexta-feira, março 2

Olá a todos!



Como já devem ter visto, a Bruxa anda numa grande correria a tentar fazer várias coisas ao mesmo tempo: enquanto se debate com calhamaços cheios de listas de palavras para traduzir aquele obscuro tratado alquímico que a (quase) todos interessa, anda também de agulha e tesoura em riste para ajudar o mestre Gil a mostrar-se no seu melhor, lá para as bandas da EPTC.

Mesmo assim, a Bruxa não deixa de se mostrar (minimamente) atenta à realidade deste nosso rincão (vá… tudo a correr para o dicionário!). Por isso, aqui vai a notícia de uma iniciativa de uns colegas vossos nas lides culinárias. Just for the fun of it… (podem pedir ajuda às professoras de inglês, eu não me importo). Não é que pense que vocês podem lá ir, mas sempre ficam a saber algumas das últimas inovações na área…
E, como o fim-de-semana se aproxima e vocês estão de férias (!), cá vai mais um par de desafios a pedir as vossas respostas:

ADIVINHA:

É uma caixinha, de bem-querer, não há carpinteiro, que a saiba fazer?

PROVÉRBIO:

Sobre peras vinho bebas…????

quinta-feira, março 1

E mais uma contribuição teatral...



Da nossa aprendiza de feiticeira Celina, recemos a seguinte contribuição:



Velha vira a cabeça para a primeira DAMA INVISÍVEL - A receita de crepes da China? Um ovo de corvo, uma hora de amora, um pouco de suco gástrico.[...]"
As cadeiras, de Eugene Ionesco

segunda-feira, fevereiro 26

Ginástica(s)

Como há muito tempo que não têm um puzzlezinho, aqui fica mais um. É para irem treinando esses raciocínios para cavalgadas mais altas. Como esta.

ADIVINHA

Preto por fora amarelo por dentro, bufas à roda e um pau dentro!?

PROVÉRBIO

Não comas muito queijo... ???

domingo, fevereiro 25

Café com leite...

O letreiro que colocou no cachaço da vaca era um sinal exemplar da forma como os habitantes de Macondo estavam dispostos a lutar contra o esquecimento. "Isto é uma vaca. É preciso ordenhá-la todas as manhãs para que produza leite e o leite serve para se misturar no café e fazer café com leite."
Assim continuaram a viver numa realidade escorregadia, momentaneamente apanhada pelas palavras, mas que haveria de se escapar sem remédio quando esqueceram os valores da letra escrita.
Gabriel García Marques, Cem Anos de Solidão, [Capítulo 3]

sábado, fevereiro 24

Qual é coisa, qual é ela...? - 2

Dada a recepção do primeiro par de adivinha e provérbio, aqui vai outro:

ADIVINHA:

Tem cabeça
e não tem pescoço;
Tem dentes,
sem ser de osso.
O que é?

PROVÉRBIO:

Não há amor como o primeiro, nem pão... ????

As coisas que vocês comem... 2

Origens da mayonnaise

A origem deste molho é controversa. Existia já um certo número de molhos do mesmo género antes do séc. XVIII como, por exemplo, o aïoli e a bayonnaise. A mayonnaise entra na História com o nome de Mahonnaise, a meio do séc. XVIII, como recordação da tomada da fortaleza de Port-Mahon na Menorca (Baleares) por Louis-François-Armand du Plessis de Richelieu. Confrontados com a escassez de bens alimentares, os cozinheiros do exército francês tiveram de se contentar durante algum tempo com ovos e azeite. Foi assim que, por acaso, surgiu a primeira mayonnaise. O regresso do exército a França, onde não se conheciam outros molhos que não os ligados (com natas, por exemplo) e cozinhados (como o molho branco), ofereceu novas possibilidades à cozinha francesa, graças a este molho que é apenas batido , «à la mode de Richelieu». No séc. XIX, o grande chef Carême confere um novo estilo mais ligeiro e requintado à cultura gastronómica. A sua mayonnaise «suave e dliciosa» será frequentemente mencionada em escritos da época, e ele tornou-a famosa por toda a Europa até à Inglaterra e à Rússia.
Hoje em dia, a mayonnaise faz parte integrante dos nossos hábitos culinários. Tornou-se indispensável em inúmeras preparações, quer seja em saladas, sanduíches, espargos ou para acompanhar carne ou peixe. É ainda utilizada para decorar pratos, tornando-os mais agradáveis.

sexta-feira, fevereiro 23

Todas as colaborações são fundamentais...


As colaborações dos aprendizes de feiticeiro continuam a chegar. Um dos nosso futuros cozinheiros andou a vaguear pelo Youtube e descobriu a sequência da abertura d'A Cozinha do nosso Empregado do Mês, num teatro em Espanha. Cá vai ela. Mais uma vez, o autor da descoberta decidirá se quer ou não dizer quem é. Eu sei...

A Bruxa, na sua versão tradutora, pode tranquilizar as almas mais inquietas: a referida sequência há muito que está traduzida e guardada em segurança num cofre bem aferrolhado.

quinta-feira, fevereiro 22

Ó limão, ó verde limão...



...amor da minh'alma
dá-m'a tua mão!

O limão... conhecem o limão? Ia nas caravelas para prevenir o escorbuto. E porque é que nos esquecemos dele? Pois é... Não pode ser! É que o limão é muito útil.

Em sumo, puro, ajuda nas afecções e dores de garganta e aftas porque tem uma poderosa acção antibacteriana. O sumo de um limão, misturado num pouco de água quente, bebido em jejum, dizem os naturalistas, estimula o fígado e o pâncreas. Os limões são ricos em bioflavonoides, limoneno e mucilagem, sendo esta última um benéfico protector das paredes do estômago e do tracto intestinal. Sumo de limão quente, com mel, ao deitar, é um remédio clássico para tosses e constipações. Puro, limpo de impurezas, aplicado com uma cotonete nas borbulhas com pus, é um poderoso bactericidade e combate bem o acne; diluído em água quente em partes iguais é uma excelente loção de limpeza da cara (depois das (des)maquilhagens!). Para quem sofra de frieiras - e não tenha a pele estalada! - esfregar uma rodela de limão com sal ajuda a acalmar a pele.

Tudo isto se deve, em grande parte, à quantidade de vitamina C que existe em cada limão. Ia nas caravelas, lembram-se? Contra o escorbuto? É que o escorbuto deve-se a uma carência da dita vitamina C.

Além disso, o chá da casca do dito com uma colher de mel faz milagres a uma voz cansada.

Bute lá beber limão. E repito: não, não faz mal ao estômago...


Mas o limão ainda tem outras qualidades escondidas: com ele podem iluminar o mundo. Aqui vai, então, a receita:


Ingredientes:

1 clip
1 moeda de cobre (1, 2 ou 5 cêntimos)
2 fios de cobre
1 lâmpada tipo led

Execução:

Enrolem uma ponta de cada fio ao clip e à moeda.
Espetem o clip e a moeda no limão.
Juntem as outras duas pontas dos fios na base de uma lâmpada fraquinha. Acende, vão ver!

quarta-feira, fevereiro 21

Qual é coisa qual é ela...?

No seguimento do anúncio de novas e variadas atracções deste cantinho da blogosfera, decidiu a Bruxa lançar um concurso de adivinhas e provérbios. Ao longo dos próximos meses serão aqui publicados, alternadamente, provérbios para completar e adivinhas para… adivinhar. A única ajuda que têm é que as respostas estarão SEMPRE relacionadas com alimentos, utensílios de cozinha, costumes ligados à agricultura e outros elementos relacionados com o tema que nos prende e que dá o nome a este espaço.
Agora, o mais importante: no fim da publicação de toda a série – lá para os lados do final de Maio, início de Junho – serão publicados os vencedores deste desafio. E haverá três: para quem tiver resolvido mais adivinhas, para quem tiver completado mais provérbios e para o génio que tiver mais respostas certas nas duas categorias. Escusado será dizer que haverá um prémio bruxal à espera de cada um dos três. Neste desafio não interessa quem acerta primeiro mas quem acerta MAIS. Ou seja, pelo facto de existir já uma resposta, não quer dizer que, primeiro: esteja certa, e segundo: não possa haver repetições. Por isso, não desanimem e tentem a vossa sorte.
A competição é aberta a toda a comunidade da EPTC e a forma de participar é fácil: a partir dos comentários – sempre identificados – poderão fazer as vossas propostas. No fim, saberão as respostas certas.
Aqui fica o primeiro desafio:

ADIVINHA:

Sou um fruto de Outono.
Quando chego a amadurecer,
dou um trabalhão ao dono
se ele me quiser comer.

PROVÉRBIO:
Não há mau pão… ??????

terça-feira, fevereiro 20

Mas os Stomp têm primos!



E aqui têm fotografias de outro espectáculo que há muitos anos é um sucesso mundial. Estreado em Seul, este espectáculo coreano tem corrido o mundo sem nunca interromper os espectáculos no Nanta Theatre, construído espressamente para ele. Os vários elencos - identificados por cores - alternam na sequência de três espectáculos diários e digressão. Estiveram em Portugal há dois anos, no C.C.B.

Sem palavra, conta a história da elaboração de um banquete de casamento, num restaurante muito especial.


Infelizmente, o Nanta Cookin' NÃO está no YouTube. Fica a vossa imaginação...

Um exemplo a seguir...

Lembram-se dos Stomp? Foram à cozinha e aqui têm uma amostra do trabalho deles. Um exemplo a seguir, que me dizem? Acrescento ainda que estou muito contente por o Carnaval me ter trazido a primeira colaboração de um dos aprendizes de feiticeiro deste ano! Não fui eu quem descobriu isto... Foi o ***** (se ele quiser, ele identifica-se!).

As coisas que vocês comem...



Ketchup – Também escrito Catsup, é um condimento líquido condimentado muito utilizado no mundo ocidental por influência directa dos EUA e Inglaterra. O Ketchup americano é um puré adocicado feito de tomates, cebolas e pimentos verdes, temperados com vinagre, sal e especiarias e que é “despejado” em cima de tudo, especialmente carne e batatas fritas.
O Catsup já existia muito antes de os americanos saberem o que é um tomate. Originário do Extremo Oriente, era um molho de peixe avinagrado e soja. O molho foi trazido para a Europa por marinheiros holandeses e ingleses. Aqui lhe juntaram os cogumelos. Não se sabe com precisão quando e onde se teve a ideia de juntar o tomate. Com o tempo, o peixe desapareceu da composição e o molho de cogumelos ganhou autonomia.
A palavra surge dicionarizada pela primeira vez em 1690 em A New Dictionary of the Terms Ancient and Modern of the Canting Crew, definida como "um molho da Índia Oriental".
Em 1801, surge pela primeira vez uma receita de ketchup num livro de cozinha americano, The Sugar House Book. Mas é a partir de 1876, quando J. Heinz lançou o seu ketchup que o fenómeno atinge níveis inesperados e uma popularidade que ainda hoje se mantém.

segunda-feira, fevereiro 19

O arroz de favas do Jacinto...

Uma formidável moça, de enormes peitos que lhe tremiam dentro das ramagens do lenço cruzado, ainda suada e esbraseada do calor da lareira, entrou esmagando o soalho, com uma terrina a fumegar. E o Melchior, que seguia erguendo a infusa do vinho, esperava que Suas Incelências lhe perdoassem porque faltara tempo para o caldinho apurar… Jacinto ocupou a sede ancestral – e durante momentos (de esgazeada ansiedade para o caseiro excelente) esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro, a fusca colher de estanho. Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e rescendia. Provou – e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto: - Está bom!

Foi ele que rapou avaramente a sopeira. E já espreitava a porta, esperando a portadora dos pitéus, a rija moça de peitos trementes, que enfim surgiu, mais esbraseada, abalando o sobrado – e pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas. Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominara favas!... Tentou todavia uma garfada tímida – e de novo aqueles seus olhos, que o pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado:
- Óptimo! … Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia!
E por esta santa gula louvava a serra, a arte perfeita das mulheres palreiras que em baixo remexiam as panelas, o Melchior que presidia ao bródio…
- Deste arroz com fava nem em Paris, Melchior amigo!

O homem óptimo sorria, inteiramente desanuviado:
- Pois é cá a comidinha dos moços da quinta! E cada pratada, que até Suas Incelências se riam… Mas agora aqui, o sr. D. Jacinto, também vai engordar e enrijar!
O bom caseiro sinceramente cria que, perdido nesses remotos Parises, o senhor de Tormes, longe da fartura de Tormes, padecia fome e mingava… E o meu Príncipe, na verdade parecia saciar uma velhíssima fome e uma longa saudade da abundância, rompendo assim, a cada travessa, em louvores mais copiosos. Diante do louro frango assado no espeto e da salada que ele apetecera na horta, agora temperada com um azeite da serra digno dos lábios de Platão, terminou por bradar: - É divino! – Mas nada o entusiasmava como o vinho de Tormes, caindo de alto, da bojuda infusa verde – um vinho fresco, espero, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo. Mirando, à vela de sebo, o copo grosso que ele orlava de leve espuma rósea, o meu Príncipe, com um resplendor de optimismo na face, citou Virgílio:
- Quo te carmina dicam, Rethica? Quem dignamente te cantará, vinho amável destas serras?
A cidade e as serras, Eça de Queirós

domingo, fevereiro 18

De regresso...

Tudo o que é bom acaba depressa... Depois de ter visitado alguns amigos, a Bruxa já aterrou em terras lusas. Mas, desde já anuncia o aparecimento neste espaço de grandiosas novidades. Fiquem atentos...

O Empregado do Mês viajou com ela e tiveram grandes conversas. Por isso, a Despensa da Bruxa receberá muito em breve novo e abundante material.

sexta-feira, fevereiro 16

As Férias da Bruxa...



A Bruxa não trouxe a tecnologia mas houve quem o fizesse. E para mostar que ela não se esquece dos aprendizes de feiticeiros e estudantes de magia que deixou em Cascais, aqui fica uma escultura muito apropriada ao tema que nos une: a cozinha. Mais precisamente, o tacho de cobre.

Está pendurada ao lado da porta de um restaurante e desempenha também a função de candeeiro.

quinta-feira, fevereiro 15

Aviso às hostes...



A Bruxa vai voar daqui para fora durante uns dias e não leva a tecnologia. Por isso, até segunda-feira não esperem grandes novidades aqui na Cozinha. Também dei folga aos fornecedores da Despensa. Tenham um bom fim-de-semana.

quarta-feira, fevereiro 14

Dia de S. Balentim...

Vá lá... não é uma tradição portuguesa, mas os nossos namorados eram inspiradíssimos. Ora vejam lá este bordado...
E, para não perder a boleia, aqui fica a história:

Existem várias teorias relativas à origem de São Valentim e à forma como este mártir romano se tornou o patrono dos apaixonados. Uma das histórias retrata o São Valentim como um simples mártir que, em meados do séc. III d.C., havia recusado abdicar da fé cristã que professava. Outra defende que, na mesma altura, o Imperador Romano Claudius II teria proibido os casamentos, para assim angariar mais soldados para as suas frentes de batalha. Um sacerdote da época, de nome Valentim, teria violado este decreto imperial e realizava casamentos em sigilo absoluto. Este segredo teria sido descoberto e Valentim teria sido preso, torturado e condenado à morte. Ambas as teorias apresentam factores em comum, o que nos leva a acreditar neles: São Valentim fora um sacerdote cristão e um mártir que teria sido morto a 14 de Fevereiro de 269 d.C.

terça-feira, fevereiro 13

Constipações, Tosses & Gargantices

Nesta época de frio e chuva em que anda tudo ranhoso e com dores de garganta, aqui fica um truque. O vapor de ervas é um bom tratamento natural para narizes tapados ou problemas de respiração. O vapor abre os canais nasais ao mesmo tempo que os óleos voláteis das ervas são inalados e entram na corrente sanguínea. Vão precisar de uma panela com água a ferver, uma toalha e óleos essenciais (nas lojas de produtos naturais) ou as plantas frescas (no supermercado ou no jardim). Deitem as plantas ou umas gotas (3 ou 4 para cada 0,5l de água) de óleo na água, deixem-na ferver e, com uma toalha na cabeça a formar uma espécie de “tenda”, respirem o vapor durante algum tempo.
Bronquite e tosse – eucalipto, alfazema, tomilho
Constipações – camomila, pinheiro
Laringite e dores de garganta – tomilho.

segunda-feira, fevereiro 12

Nova semana...

Agora que a despensa está a começar a receber produtos novos, e apesar de alguns narizes torcidos, aqui fica mais um exercício e outro para exercitarem os neurónios. Vão precisar deles (os neurónios, não os narizes!) bem animados...

domingo, fevereiro 11

É hoje...

Após muito tempo de discussão, de troca de argumentos e do tempo de reflexão que a lei prevê, chegou o dia do referendo sobre a Despenalização Voluntária da Gravidez. Sei que o dia não está famoso mas esqueçam a preguiça, dêem um salto à vossa Assembleia de Voto e escrevam lá a cruzinha (ou não).
É preciso resolver este assunto de uma vez por todas. Por isso, votem sim ou votem não, mas VOTEM!

sábado, fevereiro 10

Cinco horas


Minha mesa do Café,
Quero-lhe tanto… A garrida
Toda de pedra brunida
Que linda e que fresca é!

Um sifão verde no meio
E, ao lado, a fosforeira
Diante do meu copo cheio
Duma bebida ligeira.

(Eu bani sempre os licores
Que acho pouco ornamentais:
Os xaropes têm cores
Mais vivas e mais brutais)

Sobre ela posso escrever
Os meus versos prateados,
Com estranheza dos criados
Que me olham sem perceber...

Numa atitue alheada,
Sobre ela descanso os braços
Buscando pelo ar os traços
Da minha vida passada.

Mário de Sá-Carneiro

sexta-feira, fevereiro 9

Arnold Wesker por ele mesmo...

Bom, já vai sendo tempo de irem começando a conhecer o nosso empregado do mês. Por isso, a Bruxa dá hoje início à publicação de uma série de pequenos excertos da auto-biografia do rapaz, no intuito de vos ir familiarizando com alguns aspectos da sua vida e obra, que podem vir a ser importantes na preparação do vosso trabalho. Cá vai, então, o primeiro, escrito entre 1992-1994:
«Um amigo enviou-me um recorte do Times, com um artigo sobre Mozart:

A incapacidade de Mozart em conceber que poderia ser um falhanço, mesmo quando os seus concertos eram um desastre, constituía, de acordo com alguns psicólogos, uma parte essencial do seu génio. […] Falhanço e derrota não faziam parte do seu vocabulário e a noção de que o destino poderia estar contra ele, mesmo quando sofria uma série de reveses, era inconcebível…
Em 1790, após um concerto desastroso em Frankfurt, Mozart escreveu à mulher: “O meu concerto… foi um sucesso esplêndido do ponto de vista da honra e glória mas um fracasso no que toca a dinheiro. Infelizmente, um príncipe qualquer dava um déjeuner e as tropas de Hesse estavam em grandes manobras. Mas… eu estava em tão boa forma… que me imploraram que fizesse outro concerto no sábado.”
Releio material que já tinha posto de parte ou rejeitado e todas as minhas extremidades nervosas registam sentido e qualidade. Respeitei o meu material. O único conceito de arte para o qual tenho alguma – pouca – paciência é “arte como meio de auto-expressão”. O que prende o meu interesse no trabalho dos outros escritores é a qualidade do seu intelecto, das suas visões poéticas aplicadas à compreensão do seu material. Fico incomodado com escritores que limitam o seu material com as camisas-de-forças de maneirismos pessoais ou truques de diálogo reconhecíveis à primeira vista, e que mais tarde são erradamente assumidos como a sua “voz” ou o seu “estilo”. Não sou desses. Uma vez crente do poder e significado do meu material, deixo que este determine o seu estilo inerente.
Sempre se disse que o tempo o dirá. No entanto, o meu estado de espírito oscila entre tenebrosas dúvidas suicidas e uma profunda fé Mozartiana na concretização e bom resultado do meu trabalho.»

quinta-feira, fevereiro 8

Em dia de ressaca televisiva...


Já que a senhora ganhou um prémio ontem, vamos lá incluí-la na nossa selecção...

RITMOS


E descascar ervilhas ao ritmo de um verso:
a prosódia da mão, a ervilha dançando
em redondilha.
Misturar ritmos em teia apertada: um vira
bem marcado pelo jazz, pas
de deux
: eu, ervilha e mais ninguém

De vez em quando o salto: disco sound
o vazio pós-moderno e sem sentido
Ah! hedónica ervilha tão sozinha
debaixo do fogão!

As irmãs recuperadas ainda em anos 20
o prazer da partilha: cebola, azeite
blues desconcertantes, metamorfose em
refogados rítmicos

(Debaixo do fogão
só o silêncio frio)

Ana Luísa Amaral

quarta-feira, fevereiro 7

Muita m...

É hoje! Vá lá, gente, vamos apoiar os nossos jovens actores no S. Luiz. Saindo do comboio no Cais do Sodré é só subir um bocadinho. A sessão começa às 21horas e não há-de acabar muito tarde...

terça-feira, fevereiro 6

A Marginal a Pé...



Ena! Parabéns a Cascais!

Façam o favor de se sentirem orgulhosos de trabalharem (?) e viverem numa vila que trabalha para o verde (passe a repetição). E a acção deste ano valeu-lhe um prémio que acaba de ser anunciado. Para quem não sabe, entre outras coisas, fez-se uma animada caminhada pela Marginal, entre o Estoril e a baía de Cascais. O desporto sénior apareceu em força.

Espero que, na próxima edição, haja muitos alunos da E.P.T.C. a fazer companhia aqui à Bruxa.

Os olhos também comem...

Sabem o que é uma estilista culinária? É aquela pessoa que prepara a comida para aguentar horas e horas de projectores durante um filme, uma sessão de fotografia ou a apresentação de um projecto, sem perder o ar apetitoso e fresco que nos faz desejar comê-la. Em Portugal temos algumas. Podem conhecê-las nesta cozinha
Já agora, para se entreterem, aqui vai um pequeno exercício de estilismo culinário para olearem esses neurónios.

Alunos da EPTC no Ciclo Novos Actores

Na próxima quarta-feira, pelas 21.00h, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz, os alunos Tomás Alves, Joana Castro, Mafalda Castro, Luís Lobão e José Redondo vão apresentar no Ciclo Novos Actores 2007 a peça T.V. Você, da autoria de Luís Lobão. Uma vez que a entrada é livre, espera-se que a EPTC compareça em peso.
Desde já, enviamos aos cinco os nossos parabéns por terem chegado à fase final e, já agora, como se costuma dizer nestas ocasiões: muita merda.

domingo, fevereiro 4

Dia de (des)Aniversário

Hoje, na visita ao Museu Nacional do Teatro que quase todos vocês NÃO fizeram, a Bruxa e os ajudantes que com ela estiveram tiveram a oportunidade de ver fotografias d'A Cozinha, da Luzia Maria Martins. Estão guardadas nas catacumbas que o aniversário do museu permitiu ver. Foi muito interessante...

Um Macbeth de Fugir

Há coisas que nunca vou perceber, uma delas é como é que é possível pegar numa das melhores tragédias de sempre e transformá-la em nada, em zero.
Foi, sem dúvida, uma das piores coisas que vi na minha vida (o senhor encenador chama-se Bruno Bravo e deixo-lhe aqui duas informações e uma pergunta:
1) se o objectivo era uma recriação das encenações do século XVII, enganou-se redondamente, uma vez que de certeza que os King’s Men faziam aquilo de uma forma bem mais animada
2) O Macbeth não é nenhum bêbado, de maneira que, das duas uma: ou o senhor não percebeu a peça, ou o João Lagarto estava bêbado (e com falta de ar). De uma maneira ou de outra, a responsabilidade/ incompetência é sempre sua.
3) À saída ainda ouvi alguns actores a comentarem - entre risos - que «ele hoje nem esteve muito mal». Ora, se nem esteve muito mal, como é que será nos dias em que está péssimo?)

Alunos da EPTC, do 1º ao 3º ano, a não ser que queiram ver como é que não se deve representar/ encenar uma peça, até ao dia 15 de Março, fujam do Teatro da Trindade. Evitem este Macbeth a todo o custo, não vão ficar a pensar que aquilo é Shakespeare.

Notícias da Bruxa...

Após 24 horas de ausência da blogosfera devido a uma desactualização informática - como bruxa, lido melhor com o caldeirão, as retortas e o alambique do que com esta coisa que agora arranjaram... computador, certo? - eis-me de regresso para vos alimentar o espírito e confortar o coração.
Tal como prometido, às 10h15m, estarei à porta do Museu Nacional do Teatro.
Entretanto, aquele meu jovem colega muito famoso atrasou-se. Sendo já um recordista absoluto de pré-vendas, só chegará aos escaparates das livrarias no próximo dia 21 de Julho. Para mais notícias, é favor entrar em contacto directo com a bruxa-mor.
Ah! É verdade! Há novos produtos nas prateleiras da minha despensa.

Ementa

No dia 1 de Junho de 1912, um comensal anónimo, descreveu a ementa do almoço que acabara de comer:


«Sopa de marisco será
O que primeiro comerá;
E logo em seguida virão
Bons pastéis de camarão;
Emborque-lhe o branco vinho
Que o Monteiro dá, amiguinho.
Algum frango em cabidela
E pr’a apanhar a piela
Regue-o co’a pinga danada
Que antes da vitela assada
O cidadão tem provado.
Vem sobremesa com ralé
Bebe-se logo o café,
E, se mal jantado ficar,
Vá àquela parte cear.»

sexta-feira, fevereiro 2

Festa de Aniversário

Recorrendo a meios modernos - ai que saudades da bola de cristal! - falei para o Museu Nacional do Teatro e estão a contar connosco: os alunos e professores da EPTC serão muito bem vindos, no domingo.
Como não tenho vassouras que cheguem para todos - esgotaram-me os stocks por causa da próxima chegada do último Harry Potter - vou dar-lhes uma ou duas indicações acerca do caminho. Ponham-se no Campo Grande - a pé, a nado, de bicicleta, patins, skate, carro ou comboio - e depois é só seguirem pela Calçada de Carriche. De autocarro, de preferência, porque é sempre a subir... Nos segundos semáforos têm de virar à esquerda. É fácil, há setas a indicar o Museu. Se se perderem, têm o meu telemóvel. 10h15m da manhã, não se atrasem!

Molho de Rosas Vermelhas



12 rosas, de preferência vermelhas
12 castanhas
2 colheres de fécula de milho
2 gotas de essência de rosas
2 colheres de anis
2 colheres de mel
2 alhos
1 pythaia

Desprendem-se com muito cuidado as pétalas das rosas, procurando não picar os dedos, pois além de ser muito doloroso (picar-se), as pétalas podem ficar impregnadas de sangue e isto, além de alterar o sabor do prato, pode provocar reacções químicas muitíssimo perigosas.
[…]
Tita apertava as rosas com tal força contra o peito que, quando chegou à cozinha, as rosas, que inicialmente tinham uma cor rosada, já se tinham tornado vermelhas por causa do sangue das mãos e do peito de Tita. Tinha de pensar rapidamente no que fazer com elas. Estavam tão lindas! Era impossível deitá-las para o lixo, primeiro porque antes nunca tinha recebido flores e depois porque tinham sido dadas por Pedro. De repente ouviu claramente a voz de Nacha, ditando-lhe ao ouvido uma receita pré-hispânica em que se utilizavam pétalas de rosas. Tita já a tinha meio esquecida….
[…]
Depois de se desfolhar as pétalas moem-se no almofariz juntamente com o anis. À parte, põem-se a dourar as castanhas no comal,* previamente descascadas e cozidas na água. Depois, fazem-se em puré. Os alhos são finamente picados e alouram-se na manteiga; quando já estão louros junta-se-lhes o puré das castanhas, a pithaya** moída, o mel, as pétalas de rosa e sal a gosto. Para que o molho fique um pouco mais espesso podem juntar-se-lhe duas colherzinhas de fécula de milho. Por último, passa-se por um tamis*** e juntam-se-lhe só duas gotas de essência de rosas, não mais, pois corre-se o perigo de ficar demasiado perfumado e estragar o sabor. Assim que estiver apurado retira-se do lume.
[…]
O aroma da essência de rosas é tão penetrante que o almofariz que se utilizava para moer as pétalas ficava impregnado durante vários dias.

*Comal – Disco de barro ou de metal que se usa para cozer tortillas.
**Pithaya – Fruto silvestre tropical (cardo-ananás)
***Tamis - Peneira de fio de seda, de malha muito unida, usada em farmácia, laboratório e doçaria.

Laura Esquível, "Março. Codornizes em Pétalas de Rosas", Como Água para Chocolate, Porto, Edições Asa, 1993

quinta-feira, fevereiro 1

Para as dores de garganta, rouquidão e falta de voz...

O Gengibre (Zinziber officinale)

Para os chineses o rizoma seco e o fresco têm propriedades diferentes, sendo o fresco recomendado para tratar febres, dores musculares, de cabeça e constipações, enquanto seco é utilizado para aliviar o «excesso de frio interno», como pés e mãos, pulso fraco e palidez. Combate vários enjoos [é verdade!].
É um excelente estimulante da circulação, ajudando o sangue a afluir às extremidades do organismo, combate dores reumáticas e dores nas articulações em geral, também resultando em dores musculares pois aquece e relaxa os músculos [não sei…].
As compressas aplicadas sobre o peito são um bom remédio contra a tosse, ajudando a libertar a expectoração e actuando ao mesmo tempo como anti-inflamatório [é verdade!]. É também considerado afrodisíaco [Hmmm… não sei, não!]
É anti-oxidante e ajuda a prevenir a agregação de plaquetas, combate a falta de apetite mas é também um remédio para o emagrecimento pois ajuda a fundir as gorduras [so I wish…].
Em gargarejo ou em tisana, é muito útil para tratar as dores de garganta, amigdalites, problemas de rouquidão e perda de voz [há toda uma turma que esteve em Glasgow, que pode garantir que funciona. Não sei quantos litros de chá de gengibre fiz para aquele grupo de alunos!], combate ainda gripes, rinites, constipações (infusão bem quente com limão e mel) e provoca a sudação.

Preparação do chá: descascar e cortar lamelas finas de gengibre fresco e deixá-lo ferver na água durante um bocado, até o líquido ganhar um tom amarelado. Beber bem quente. Arde na garganta mas… faz muito bem!

Parabéns ao MNTeatro...

No próximo dia 4 de Fevereiro, o Museu Nacional do Teatro irá comemorar o seu 22º aniversário.
Para celebrar esta data iremos ter um conjunto de programas que constará do seguinte:
[Seguem-se várias hipóteses destinadas, sobretudo, a crianças pequenas. E depois]
Das 10h30m às 16h30m - Visitas guiadas ao acervo* - das oficinas de restauro às reservas, o visitante terá oportunidade para ver como se restaura, se conserva e se preserva a memória teatral.
Público alvo: público em geral
*acervo – conjunto de bens que integram o património de um indivíduo, de uma instituição, de uma nação.

E pronto! Está lançado o desafio. Se alguém quiser ir fazer esta visita, aqui a Bruxa estará à porta do dito e referido Museu às 10h15m. Será uma boa oportunidade de vermos um bocadinho do que se fez em teatro em Portugal. ‘bora lá?

O Debate

Eu sei que não tem nada a ver com a PAP, mas tem a ver com a Escola, e não queria deixar passar a oportunidade de enviar um forte abraço de parabéns ao Carlos Carranca pelo magnífico debate que organizou ontem na EPTC.
Concordo consigo. Os nossos alunos deram uma lição de civismo a muito boa gente (principalmente a um determinado fulano, que, mesmo assim, entre a má educação, a péssima retórica e um mais que duvidoso gosto na arte de bem vestir, ainda conseguiu retirar-se não só sem impropérios, mas até com bom senso).
Enfim, já passava das 18:30 e muitos ainda havia a querer continuar a discussão. Creio que isso diz tudo...
Um debate de grande interesse e, mais importante, deveras esclarecedor para toda a comunidade escolar.
Mais uma vez, os nossos (pois creio que falo em nome de todos os alunos e professores da EPTC) sinceros agradecimentos e parabéns.

quarta-feira, janeiro 31

A Despensa

Para não sobrecarregar este animado espaço, a Bruxa decidiu abrir mais um cantinho da sua cabana e mostrar-vos alguns dos produtos que vai comprando, recebendo e cozinhando a pensar naquele repasto final que acontecerá lá mais para o Verão. Por isso, sempre que houver novidades terão de se deslocar até à minha despensa.

Oiça Lá Ó Senhor Vinho


Oiça lá ó senhor vinho,
vai responder-me,
mas com
franqueza:
porque é que tira toda a firmeza
a quem
encontra no seu caminho?

Lá por beber um copinho a
Mais
até pessoas pacatas,
amigo vinho, em desalinho
vossa mercê faz andar de gatas!

É mau
Procedimento
e há intenção naquilo que faz.
Entra-se
em desequilíbrio,
não há equilíbrio que seja capaz.

As leis da Física falham
e a vertical
de qualquer lugar

oscila sem se deter
e deixa de ser
perpendicular.

"Eu já fui", responde o vinho,
"A
folha solta a brincar ao vento,
fui raio de sol no
firmamento
que trouxe a uva, doce carinho.

Ainda
guardo o calor do sol
e assim eu até dou vida,
aumento
o valor seja de quem for
na boa conta, peso e medida.

E só faço mal a quem
me julga ninguém
e faz
pouco de mim.
Quem me trata como água
é ofensa,
pago-a!
Eu cá sou assim."

Vossa mercê tem
Razão
e é ingratidão
falar mal do vinho.
E a
provar o que digo
vamos, meu amigo,
a mais um
copinho!

Alberto Janes para a voz de Amália Rodrigues

terça-feira, janeiro 30

ETA no aeródromo da Amoreira: 9 da manhã...

Numa curiosa mescla de crendice e fé, o primeiro dia do regresso da Bruxa das PAPs às salas da EPTC tem como orago S. João Bosco, inspirador dos pedagogos. Nem de propósito: era um João que sabia ensinar! Assim ele inspire aqui a Bruxa…

segunda-feira, janeiro 29

Preparem os Argumentos

Algumas curiosidades sobre os livros de cozinha em Portugal...






No nosso país, o livro de cozinha, impresso, mais antigo de que há conhecimento foi publicado em 1680 e é da autoria de Domingos Rodrigues: chama-se Arte da Cozinha.
Na Biblioteca Nacional existem vários manuscritos anteriores a este livro, sendo um dos mais antigos Receitas de milhores doces e de alguns guizados particullares e remedios de conhecida expiriencia que fes Francisco Borges Henriques para o uso da sua caza. No anno de 1715. Tem seo alfabeto no fim. Esta obra tem de tudo, para todas as necessidades e gostos. Ora vejam só: receitas de queijadas, ovos-moles e pudins a par de «um remédio para as mulheres que casarem parecerem donzelas», modo de tratar as tripas do Porto ou a cabeça de vitela e logo «uma oração de Santa Quitéria para Homens e Animais mordidos por cães ou outro algum animal derramado que há-de dizer um Sacerdote com sobrepeliz e estola à porta da Igreja, com cruz alçada», pratos de bacalhau, morcelas, empadas e frangão, ao lado de remédios «para crescer o cabelo onde precisar» e de um «Cerimonial dos Lutos». Parece-me uma obra da maior utilidade!

domingo, janeiro 28

Cozinha Alquímica

Certas especialidades gastronómicas não ficam a gosto se não passarem por um processo culinário que leva o inesperado nome de banho Maria. É uma criação de alguns séculos e que, inicialmente, pouco ou nada tinha a ver com a culinária, mas sim com mistérios mais profundos.
Maria Cleophas, uma judia que viveu na alta Idade Média, é ainda hoje considerada como das grandes figuras da alquimia. Escreveu (ou atribui-se-lhe) uma arte de fabricar ouro, que denominou de «Chrisopeia», um tratado de pesos e medidas e um outro sobre destilação.
Em cópias tardias do século X, essas obras ainda podem ser lidas, em Veneza, no conhecido «Manuscrito de S. Marcos», familiar, de nome, pelo menos, aos que se interessam por estes assuntos ocultos.
Das criações de Maria Cleophas, que se intitulava Cleopatra-a-Sábia, avulta o kerotakis, uma espécie de barril fechado (hermético seria mais conveniente para condizer com a alquimia) que servia para processos de destilação.
Do kerotakis surgiu o vulgaríssimo «banho Maria», indispensável, por exemplo, para produzir pudim em condições. (E mousse de chocolate à maneira! E molho holandês...)
Para quem gosta de doces, talvez melhor do que uma duvidosa pepita de ouro no fundo de um cadinho.

sábado, janeiro 27

O Jogo de Futebol

Realizou-se hoje, a horas pouco aconselháveis a noctívagos, um animado e disputadíssimo jogo de futebol organizado pela Comissão Instaladora da Associação de Estudantes da EPTC. O público, exclusivamente feminino, compareceu em massa e vislumbrámos entre a plateia os habituais cartazes de incentivo, como: “Dê-me a sua camisola” e “Força, Professor”.
Rapidamente se formaram as equipas, sendo uma delas a “Team PAP”, que se apresentou com apenas quatro jogadores: o professor Miguel Graça e os alunos finalistas Carlos Balbino, Pedro Caseiro e João Vilas. Quanto à outra equipa, tinha na sua constituição dois desconhecidos com ar um pouco abrutalhado, dois garotos do 1º ano (igoramos os seus nomes) e o aluno do 2º ano, Lourenço Esteves.
Várias foram as razões que nos levaram a duvidar do sucesso da “Team PAP”. Para começar, a desvantagem numérica, e, para continuar, tememos que os alunos do 3º ano estivessem ainda, de alguma forma, “em personagem trágica”. Neste caso: Nero, Filoctetes e Édipo. Ora, um louco, um coxo e um cego dificilmente dariam conta do recado, mas a verdade é que deram. E porquê? A resposta é simples, porque a capitanear esta “Team PAP” esteve um brilhante Professor Miguel Graça. Depressa se percebeu que a sua enorme qualidade futebolística não só disfarçava, como colmatava a desvantagem numérica. Aliás, o primeiro lance do encontro é exemplo disso mesmo. O professor Miguel Graça foi avançando pelo meio campo adversário e, explosivo, rematou do meio da rua com tal força, que não só furou a rede como furou a bola. Atemorizada, a equipa adversária tentou equilibrar a situação através de uma marcação cerrada ao Professor Miguel Graça, marcação essa que só se mostrou competente numa coisa, na demonstração cabal da sua própria incompetência. Sem soluções, passados poucos minutos, num acto de desespero, um brutamontes da equipa adversária agrediu selvaticamente o professor Miguel Graça sem que tivesse sido, sequer, assinalada a respectiva falta. Temeu-se o pior e o público inquietou-se. Felizmente para todos, o Professor Miguel Graça aguentou as dores estoicamente até ao final do desafio, não se notando qualquer quebra no seu fabuloso rendimento.
Quanto aos restantes jogadores, não há muito a dizer. Na “Team PAP” verificámos com satisfação que os alunos finalistas da EPTC escolheram para as suas vidas uma carreira teatral e não futebolística. No que toca à equipa adversária, de salientar o guarda-redes Lourenço Esteves que se apresentou num excelente nível, tendo atingido a bonita marca de 35 golos sofridos num único jogo, golos esses que foram em ampla maioria concretizados pelo Professor Miguel Graça (os que não marcou, deu a marcar).
Em suma, uma bela iniciativa. Sem dúvida, a repetir.

sexta-feira, janeiro 26

Luís XIV e a nobre gula...


Têm as modas culinárias destas coisas: o que hoje é prática comum à mesa, apenas há alguns anos, poderia ser muito mal entendido, e vice-versa.
Serve isto para dizer que o hábito de nos refastelarmos com um só prato a cada refeição seria, por exemplo na França de Luís XIV, entendido pelas classes altas, como uma verdadeira infâmia e ofensa ao apetite. Vigorava à época o hábito de apenas debicar o que de melhor tinha para oferecer cada pitéu. Veja-se o exemplo do monarca citado. Consta que Luís XIV comia de uma assentada perdizes, capões, urogallos e perus. Entenda-se no entanto que não os ingeria na totalidade, mas apenas aquilo que, no entendimento da época, era o regalo de cada prato. Assim, do capão comia o soberano as asas, da perdiz o pescoço e do peru a mitra.
Saciava assim a nobre gula e o que restava, com alguma sorte, apaziguava a fome de alguns súbditos.

quinta-feira, janeiro 25

Na Próxima Aula...

Alta Vigilância, As Criadas e algumas considerações sobre o Teatro da Crueldade.

Tacho

Cebolas, batatas,
coisas baratas
p’ra dentro de mim.
Água gelada,
logo esquentada
fazendo chinfrim.

Feijão, azeite,
tudo em mim deite,
Senhor Cozinheiro!
Garfo espetado,
gosto provado…
- Mas que rico cheiro!

Tudo em mim fazem!...
Transpiro a imagem
da viva tristeza
de não viajar;
no fogão ficar,
sem nunca ir à Mesa!

Maria Pereira, “Rimas do Quotidiano”, Coisas Simples, 1987

quarta-feira, janeiro 24

Antes de começarem... 3






Diário - um registo pessoal quotidiano de experiências, factos, observações e/ou reflexões. Segue a ordem cronológica e pode descrever um processo de trabalho ou servir de confidente para emoções e opiniões pessoais. A uma pessoa que faça este tipo de escrita, chamamos diarista. Se bem que um diário seja um registo periódico, nem toda a gente escreve entradas diárias. Há pessoas que usam o diário como forma de anotar transacções ou negócios. Sendo acima de tudo uma “obra” muito pessoal, não apresenta limitações quanto aos factos a incluir, gozando ainda de ampla liberdade quanto à forma e estilo.

Alguns dos diaristas mais antigos pertenciam às culturas asiáticas. Por exemplo, as mulheres da corte japonesa tinham diários. No século XVIII, por exemplo, muitos viajantes escreveram e, mais tarde, publicaram diários de viagem.

terça-feira, janeiro 23

Antes de começarem... 2

Do fundo dos canhenhos que guardam as misteriosas fórmulas alquímicas que permitem grandes empresas, retirei este feitiço, que recomendo que guardem com grande carinho. Talvez sirva também para esclarecer alguns não-iniciados, que se têm interrogado quanto ao que andamos aqui a fazer.

Portaria nº 550-C/2004, de 21 de Maio
Secção III
Prova de Aptidão Profissional


Artigo 19.º
Âmbito e definição
1. A prova de aptidão profissional (PAP) consiste na apresentação e defesa, perante um júri, de um projecto, consubstanciado num produto, material ou intelectual, numa intervenção ou numa actuação, consoante a natureza dos cursos, bem como do respectivo relatório final de realização e apreciação crítica, demonstrativo de saberes e competências profissionais adquiridos ao longo da formação e estruturante do futuro profissional do jovem.
2. O projecto a que se refere o número anterior centra-se em temas e problemas perspectivados e desenvolvidos pelo aluno em estreita ligação com os contextos de trabalho e realiza-se sob orientação e acompanhamento de um ou mais professores.
3. Tendo em conta a natureza do projecto, poderá o mesmo ser desenvolvido em equipa, desde que, em todas as suas fases e momentos de concretização, seja visível e avaliável a contribuição individual específica de cada um dos membros da equipa.

Artigo 20.º
Concepção e concretização do projecto
1. A concretização do projecto compreende três momentos essenciais:
a) Concepção do projecto;
b) Desenvolvimento do projecto devidamente faseado;
c) Auto-avaliação e elaboração do relatório final.

Um tenor cozinheiro

“Para mim, a cozinha é criação.”
Giovanni d’Amore, tenor italiano, hoje na Praça da Alegria, às 10h15 da manhã, antes de começar a preparar uma receita de gnochi com molho de tomate e manjericão.
Há que aprender com quem sabe...

Núcleo de Cinema da EPTC

Sim, está quase a começar.
Quem quiser saber mais vá aqui...

Dobrada à Moda do Porto

Um dia, num restaurante, fora do espaço e do tempo,
Serviram-me o amor como dobrada fria.
Disse delicadamente ao missionário da cozinha
Que a preferia quente,
Que a dobrada (e era à moda do Porto) nunca se come fria.]

Impacientaram-se comigo.
Nunca se pode ter razão, nem num restaurante.
Não comi, não pedi outra coisa, paguei a conta,
E vim passear para toda a rua.

Quem sabe o que isto quer dizer?
Eu não sei, e foi comigo...

(Sei muito bem que na infância de toda a gente houve um jardim,]
Particular ou público, ou do vizinho.
Sei muito bem que brincarmos era o dono dele.
E que a tristeza é de hoje).

Sei isso muitas vezes,
Mas, se eu pedi amor, porque é que me trouxeram
Dobrada à moda do Porto fria?
Não é prato que se possa comer frio,
Mas trouxeram-mo frio.
Não me queixei, mas estava frio,
Nunca se pode comer frio, mas veio frio.

Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

segunda-feira, janeiro 22

Para animar a semana...

Canção de Mesa

Embora não muito comum em Portugal, em certos países como a França, os convivas cultivam o hábito, bastante antigo, de cantar à mesa após a refeição.
Esta é, ao que tudo indica, uma prática ancestral, proveniente de outras regiões e documentada desde a época romana e grega. Entres estes povos os banquetes terminavam com verdadeiros espectáculos. Também na Idade Média o banquete era celebrado com festins que acompanhavam toda a refeição.
Contudo, a verdadeira “Canção de Mesa” nasceu no século XV com Olivier Basselin, um normando amante da sidra, do vinho e dos prazeres da mesa, que criou o vaux de vire, expressão de que derivou mais tarde o termo Vaudeville. Neste tipo de canções verificamos a existência de incitamentos ao comer e beber e interrupções destinadas a permitir um gole de uma bebida. Têm melodias simples e variadas, fáceis de cantar. A grande época da “Canção de Mesa”, em França, situa-se no período do Império e da Restauração, no século XIX. Cantava-se à mesa, à sobremesa, por vezes canções para beber. Havia também as cantigas de festa e de casamento. Surgem pouco depois os jantares cantantes, os jantares de solteirões, os jantares de amigos, etc. Com as mudanças de hábitos, cantar à mesa passou a ser encarado com um acto pequeno burguês e mesmo vulgar.

domingo, janeiro 21

O seu a seu Dono...


Bem sei que isto não tem a ver com a P.A.P. mas merece referência. Quero agradecer à Margarida, ao Marcos, ao Pedro e ao Marcelo do 2º ano, que passaram o fim-de-semana a trabalhar comigo, tentanto pôr ordem na biblioteca do Espaço-Memória. Foi um esforço grande mas os livros ficaram todos (quase) arrumadinhos!

sábado, janeiro 20

Notas de Dramaturgia

Lamento informar mas a minha vida é muito atarefada e não dei as notas de Dramaturgia... Terão de esperar mais uma semana...

Poemazinho



Uma nêspera
estava na cama
deitada
muito calada
a ver
o que acontecia
chegou a Velha
e disse
olha uma nêspera
e zás comeu-a
é o que acontece
às nêsperas
que ficam deitadas
caladas
a esperar
o que acontece

Mário Henrique Leiria
NOTINHA: Este veio directamente do cantinho Poesia Para Ninguém do meu amigo Magnuspetrus. Obrigada!

sexta-feira, janeiro 19

Stomp

A companhia britânica Stomp está de regresso a Portugal com o seu espectáculo nascido nas ruas, que mistura percussão, movimento, dança, teatro e comédia. A partir de 16 de Janeiro, no Casino Lisboa.
Os Stomp dividem-se em várias companhias que percorrem o mundo e cada espectáculo é diferente do outro. Para este garante-se muito ritmo, animação, objectos em movimento, criatividade (usam instrumentos pouco convencionais como caixotes de lixo, vassouras, latas e bidões) e algum humor pelo meio. Sem esquecer a prestação de cada performer, que imprime um cunho pessoal importante na coreografia conjunta.
"Guia do Lazer", Público

Tragédia

Aristóteles: Imitação de uma acção de carácter elevado, completa e de certa extensão, em linguagem ornamentada e com as várias espécies de ornamentos distribuídas pelas diversas partes [do drama], [imitação que se efectua] não por narrativa, mas mediante actores, e que, suscitando o terror e a piedade, tem por efeito a purificação dessas emoções.
“VI. Definição de tragédia. Partes ou elementos essenciais.” Poética

Séc.s XIX e XX: o conceito desdobra-se e multiplica-se. Na impossibilidade de descrever todos, aqui ficam alguns apontamentos: a tragédia foca-se na família, unidade central da sociedade e se a vida familiar se apresenta doente e corrupta pode minar a nossa confiança na possibilidade de qualquer ordem coerente na sociedade. Em comum com a tragédia clássica tem a exploração da dor de um mundo em que as ficções de uma ordem social racional já não se podem manter. O herói, muitas vezes anti-herói, com frequência se vê confrontado com o pior de si próprio, ao mesmo tempo que se vê confrontado com o que de pior existe no mundo que habita. Daí uma sensação de vazio num mundo que, muitas vezes, se sente como absurdo.

Três Peças para uma Mulher (excerto)

STEPHANIE está a falar com uma amiga ao telefone.

STEPHANIE
Maxie? Maxie, desculpa, tens um minuto? Bem, não é um minuto, são dois dias, pelo menos. Recebi, recebi a tarte de cenoura e os panadinhos de frango e o tacho cheio de chilli com carne. Muito obrigada, querida, mas fizeste comida para um batalhão! Olha que eu agora sou uma mulher solteira. De qualquer modo, obrigada, obrigada a todos. Tu ralas-te e ralhas comigo, mas agora não me interrompas, preciso de falar.
Tenho andado a pensar. A pensar e a lembrar-me e a lembrar-me e a pensar e descobri coisas e cheguei a algumas conclusões. Sou parva! Pior, sou parva e desonesta! Sou parva porque me casei com um homem que nunca amei; e sou desonesta porque fingi que o amava.
Nunca o amei! Eu nem sequer gostava dele. Pensava que o amava porque ele dizia que me amava a mim e... — e foi nessa que eu caí, que nem uma estúpida! Ele foi o primeiro homem a dizer-me “Amo-te!” Imagina! Eu tinha vinte e quatro anos e já andava a começar a pensar que devia ser um nojo, ou que tinha mau hálito, e aparece este homem, um jovem Apolo criado a ovos frescos, sumo de laranja, o fígado mal passado da mãezinha, nos parques de Brooklin High, de olhos verdes e cabelo à Botticelli que até dava vontade de comer e diz “Eu amo-te!” A mim! Quem é que podia resistir? Tinha que ser uma pessoa extraordinária para gostar de mim, e quem era eu para não me apaixonar por uma pessoa extraordinária?


Da peça Desbarato (Yardsale), incluída em Três Peças para uma Mulher, de Arnold Wesker (trad. Maria Velho da Costa e Manuel Cintra). O livro está publicado pela Cotovia, mas não é fácil de arranjar. Quem estiver interessado, pode sempre tentar na sede da
editora.

Muita Merda!

Hoje é a vez do 3º B. O tema e o ponto de partida são os mesmos. A hora e o local, também. 19.00h, na EPTC.


Muita merda, miúdos!

quinta-feira, janeiro 18

A Bruxa regressa...



Pronto… já está! Segundo fontes geralmente bem informadas, o vosso contacto semanal com a Bruxa das PAPs terá início dentro de pouco tempo. Na próxima semana, dado que se realiza em Oeiras uma convenção de Magia & Sortilégios, a dita Bruxa estará ocupada a explicar a jovens aprendizes de feiticeiro como se consegue um filtro milagroso para os calos dos dedos. Por isso, o ETA no pátio da EPTC está previsto para o dia 31 de Janeiro, pelas 9 da manhã. Espera-se que não haja turbulência que impeça tão ansiado encontro.

Muita Merda!


No âmbito da cadeira de T.P.T., estreia-se o 3º A com um exercício inédito na escola. A apresentação de excertos de várias Tragédias que vão de Ésquilo a Jean-Paul Sartre. O ponto de partida foi o Teatro Pobre de Grotowsky. O resultado final é hoje apresentado às 19.00h, na EPTC.


Muita merda, miúdos!

Receita para um Exercício de T.P.T.

Ingredientes
100 gr. de Ajax
100 gr. de Medeia
100 gr. de Hipólito
1 Prometeu Agrilhoado
1 Ifigénia em Áulide
1 tragédia clássica
1 Euménides
1 dl. de Édipo tinto
1 Agamémnon

Salada
Folhas de Troianas variadas
1 molho pequeno de Antígona

Molho
2 c. sopa de Eurípides
1 c. sopa de Sófocles
1 c. de sobremesa de Esquilo

Confecção
Picam-se grosseiramente o Ajax, a Medeia e o Hipólito. Tiram-se os grilhões ao Prometeu. Espalma-se bem. Limpa-se a tragédia de peles e ossos, abre-se com uma faca afiada e retira-se o coro. Estufam-se os 300 grs de tragédias picadas num refogado de Euménides em cubos pequenos com alho. Refresca-se com o dl. de Édipo tinto. Quando tiver evaporado quase todo, recheia-se a tragédia com este picado e fecha-se com fio de culinária. Vai ao forno numa cama de Agamémnon em juliana e uma Ifigénia, limpa de Áulide, às rodelas.
Assa durante muitas horas de ensaios, virado de vez em quando pela mão do professor. Regar com conselhos, indicações e exercícios. Quando estiver quase assado, estende-se por cima o Prometeu espalmado e pincela-se com gema de ovo. Volta ao forno a corar, durante 10 minutos. Quando estiver bem dourado, retira-se do forno e deixa-se repousar durante um ensaio geral.
Entretanto, numa tigela pequena, juntam-se e batem-se bem o Eurípides, o Sófocles e o Ésquilo.
Fatia-se o assado e emprata-se, dispondo três fatias no centro de um palco, rodeadas de uma salada de Troianas e Antígona, temperada com Fedra, Sartre e pimenta. Fazer passar um fio do molho na borda do palco, de forma a criar uma moldura que rodeie os alimentos. Finalmente, polvilha-se com um pouco de Racine, moído no momento, Serve-se bem quente a um grupo de comensais.
Bom apetite!

Poetas...

"É preciso ler os poetas
na sua língua
com rodelas de tomate
e um fio de azeite
ao correr de cada verso."

José Fanha

Requisitos para uma Boa Cozinha

Primeiro que tudo, é preciso manter um lume permanentemente aceso, Depois, um fornecimento constante de água a ferver. Em seguida, um chão sempre limpo. Depois, é a vez dos utensílios para limpar, moer, desossar, pelar e cortar. Seguidamente, um dispositivo para manter a cozinha livre de odores, enriquecendo-a com uma atmosfera limpa e sem fumos. E música, porque os homens trabalham melhor e mais alegremente quando há música. Por fim, um aparelho para eliminar as rãs dos barris de água potável.

Leonardo da Vinci, Notas de Cozinha, códice Romanoff

quarta-feira, janeiro 17

Antes de começarem...

Monografia - trabalho escrito acerca de determinado ponto da história, da arte, da ciência ou sobre uma pessoa ou religião.

A Invenção da Cozinha

A fogueira de lenha do Homem de Pequim, sucessor do Australopitecos foi inventada em consequência da sua habilidade para fabricar utensílios de pedra. Pensa-se que uma pedra, ao chocar com uma outra pedra, terá lançado uma faísca que caiu num tapete de folhas secas onde dormia um nosso antepassado. Produziu-se desta forma uma chama e, assim, descobriu-se e controlou-se o fogo. Foi aliás uma invenção bem oportuna uma vez que a Terra se aproximava de um novo período glaciar.
À medida que o clima se tornava gélido, os animais cobriam-se de pêlos grossos e a sua carne, depois de mortos, congelava rapidamente. O fogo veio dar solução a este problema, sendo utilizado para descongelar os alimentos. Só mais tarde começaram a ser cozinhados.

Ode à Cebola


Cebola,
luminosa redoma,
pétala a pétala
formou-se a tua formosura,
escamas de cristal te acrescentaram
e no segredo da terra sombria
arredondou-se o teu ventre de orvalho.
Sob a terra
deu-se o milagre
e quando apareceu
teu rude caule verde,
e nasceram
as tuas folhas como espadas no horto
a terra acumulou seu poderio
mostrando a tua nua transparência,
e como em Afrodite o mar distante
duplicou a magnólia
levantando-lhe os seios,
a terra
fez-te assim,
cebola,
clara como um planeta,
e destinada
a reluzir,
constelação constante,
redonda rosa de água,
sobre
a mesa
dos pobres.

Generosa
Desfazes
teu globo de frescura
na consumação
fervente do cozido,
e o girão de cristal
ao calor inflamado do azeite
transforma-se em ondulada pluma de ouro.

Recordarei também como a tua influência
fecunda o amor da salada
e parece que contribui o céu
dando-te a fina forma do granizo
a celebrar a tua luz picada
sobre os hemisférios de um tomate.
Mas ao alcance
das mãos do povo,
regada com azeite,
polvilhada
com um pouco de sal,
matas a fome
do jornaleiro no duro caminho.
Estrela dos pobres,
fada madrinha
envolta
em delicado
papel, tu sais do solo,
eterna, intacta, pura
como semente de astros,
e ao cortar-te
a faca de cozinha
sobe a única lágrima
sem mágoa.
Fizeste-nos chorar mas sem sofrer.
Tudo o que existe celebrei, cebola,
mas para mim és
mais formosa que um pássaro
de plumas ofuscantes,
és para os meus olhos
globo celeste, taça de platina,
baile imóvel
de anémona nevada

e a fragância da terra inteira vive
na tua natureza cristalina.
(tradução de José Bento, in Antologia de Pablo Neruda, editorial Inova, 1973 - As mãos e os frutos)

Entre Tachos e Actores


Vinda de tempos obscuros em que a tecnologia assentava numa varinha mágica, um caldeirão e um livro de poções, quero desde já prestar o meu tributo ao meu colega Miguel Desgraça pela ideia, concepção e desenvolvimento tecnológico e bloguístico deste espaço, que se deve à sua muito competente iniciativa.
Assim sendo, também declaro aberta esta cozinha em que, por artes da alquimia, tentaremos ajudar os aspirantes a actores/colheita de 2007 a elaborarem aquele tratado de gastronomia teatral que esperamos que as PAPs venham a ser. Trabalhando entre tachos e actores, estamos aqui para fornecer toda a informação e apoio necessários para o trabalho que vão desenvolver, receber os vossos comentários e dúvidas, contando ainda com a colaboração sempre bem-vinda de colegas que queiram dizer de sua justiça. Os resultados dos vossos esforços, esses, esperamos por eles nas nossas caixas do correio, não aqui.
Prometemos tentar combinar tudo numa poção que, lá para Junho ou Julho, resulte em opíparo repasto a ser servido a amigos, convidados – e júri, lamento! – para satisfação geral.

Sinopses

Quem ainda não o fez, envie-me imediatamente as sinopses das personagens trágicas. As apresentações são amanhã e depois, não se esqueçam!

Bem-vindos

Está bem.
Começo eu.
Este é o blog d’ A Cozinha (a PAP deste ano, para os mais distraídos). Pela parte que me toca, sejam bem-vindos. O blog foi feito para vocês, de maneira que usem e abusem dele.
Estamos a 17 de Janeiro, o que quer dizer que nos próximos cinco meses (mais coisa, menos coisa) eu e a sinistra Bruxa das PAPs vamos andar por aqui (e pela EPTC, obviamente) a dar-vos cabo da cabeça.
Nada a que as meninas e os meninos não estejam habituados, certo?
Enfim...
Ainda estamos no início.