quarta-feira, abril 18

Reunião de família em Montalegre...



Festa das Bruxas de Montalegre

Desde 2002 que a Câmara de Montalegre junta aos seus eventos de raiz tradicional uma divertida Festa das Bruxas, aproveitando cada coincidência entre uma sexta-feira e o 13º dia do mês. A festa mobiliza toda a cidade e já faz parte integrante do calendário cultural da região.
Assim sendo, a passada sexta-feira, dia 13 de Abril, não fugiu à regra, divulgando todas as riquezas gastronómicas e culturais aos milhares de curiosos do mundo sobrenatural que eram esperados no Barroso nesse dia. A festa organiza-se assim:
Pelas 20 horas reúnem-se os comensais à mesa dos restaurantes do concelho. Trajados a rigor, os anfitriões servem iguarias com nomes sugestivos, como Presunto fumado nas lareiras do Inferno, Caldo de urtigas, Pão de centeio que o diabo amassou cozido no forno do povo, Vitela do Barroso abençoada com batata com murro de bruxa e arroz de feitiços, Borra negra, Vinho de uva e Levanta o pau do diabo.
Duas horas depois, ruma-se à Praça do Município, de onde parte um desfile fantasmagórico, com música e muita encenação, com destino ao castelo de Montalegre, cenário do ponto alto da celebração: o Esconjuro de Dom Bruxo, interpretado a rigor pelo principal impulsionador desta recente tradição, o Padre António Fontes. Perante uma plateia atenta, Dom Bruxo prepara a «mistela abençoada», que promete acabar com todos os males de embruxamentos, feitiços e maus-olhados. Originalmente, estas queimadas faziam-se nas noites frias de Inverno, para combater constipações e dores de garganta.
A aguardente que arde dentro do caldeirão recebe, aos poucos, diversos ingredientes, como o açúcar, o vinho tinto, o sumo de limão, a maçã picada e uns quantos grãos de café, enquanto é entoada a ladainha que começa por invocar todas as criaturas possíveis e imaginárias, para terminar com estas palavras:

«[…] Oubide! Oubide
os rugidos das que estão a arder nesta caldeira de lume.
E cando esta mistela baixe polas nossas gorjas,
ficaremos libres dos males e de todo o embruxamento.
Forças do ar, terra, mar e lume,
a vós requero esta chamada:
Se é verdade que tendes mais poder
que as humanas gentes,
fazei que os spírtos ausentes
dos amigos que andam fora
participem connosco desta queimada!»
Distribuída a queimada por todos, explode o fogo de artifício e a noite prolonga-se pelos bares da vila de Montalegre, com muita animação… negra, claro está.

terça-feira, abril 17

As coisas que vocês comem - a sanduíche...

Em 1762, Sir John Montague, conde de Sandwich, almirante da armada inglesa e jogador obsessivo estava num pub. Participava num jogo de cartas de que não conseguia largar. Mas era hora da refeição e quis comer, sem ter de interromper o jogo. O cozinheiro teve uma ideia de génio e serviu-lhe duas fatias de pão entre as quais tinha colocado bocados de carne fria e fatias de queijo. Não só Sir John não teve necessidade de interromper o jogo, como também não corria o risco de sujar os dedos.
Em 1818, o capitão James Cook, desembarcou pela primeira vez numas pequenas ilhas do Pacífico Sul e deu-lhes o nome do seu mentor. Nasceram assim, as Ilhas Sandwich.

segunda-feira, abril 16

Há sempre um Dia Mundial de qualquer coisa



Hoje é a vez da voz. Dia 16 de Abril é, pois o dia escolhido para todos pensarmos um pouco nesse instrumento que tanta falta nos faz a todos.

Aos aprendizes, porque querem ir para palco, à Bruxa porque tem de se fazer ouvir, ali para os lados da Amoreira. Como vocês pouco cuidado têm com a voz, aqui ficam alguns conselhos que a Mestra das Laringes deu aos aprendizes de 2006.

- Não ir à praia às horas do calor – o sol em excesso faz mal à voz e causa dores de cabeça, para além de todas as outras coisas que vocês já sabem…
- Não beber Coca-Cola, ou qualquer bebida gaseificada - Águinha que é muito bom… e muita! Pelo menos, 1,5 l por dia. Faz bem à voz, à pele, à energia.
- Não comer muito antes de deitar – fazem mal a digestão e provoca problemas de estômago, entre os quais o refluxo que faz com que os ácidos do estômago subam à garganta. E os ácidos arruínam as cordas vocais;
- Não comer saladas;
- Não comer queijo;
- Não comer alimentos à base de azeite e azeitonas – o ácido oleico ataca as cordas vocais;
- Não comer chocolates ou doces antes de ir para cena – o açúcar faz subir a saliva pelo que passam a cuspir para cima dos colegas;
- Não fumar… Palavras para quê? Faz mal a tudo!

sexta-feira, abril 13

E por falar em ovos...

admirem-me esta obra de arte utilitária (será?) que o aprendiz arbóreo enviou aqui à Bruxa:




Não sei se será possível sentarmo-nos, mas lá que fica bem numa sala, fica!

Também podemos escolher o mesmo material para uma intervenção num espaço público (e não, não estou a pensar em atirar ovos à cabeça dos passantes!). Ora vejam lá...

Ele há malucos para tudo!

Parábola culinária...

Da nossa aprendiza Celina, recebemos a seguinte parábola culinária:



Quantas vezes te deparas com a vida e só consegues ver problemas, atrás de dilemas, atrás de confusões… Quantas vezes vês que a vida está um caos e nada podes fazer… Quantas vezes não sabes que fazer e te deixas cair nesse abismo fundo de não ter reposta para tudo e nada conseguir fazer…E agora te pergunto: estão três panelas ao lume, uma tem uma cenoura, outra um ovo e a última tem café em pó, todas contêm água a ferver, qual a diferença entre elas? E com certeza me responderás: Muito fácil! Então a primeira tem uma cenoura – esta entrou dura e depois de ferver e cozer ficou mole. A segunda tem um ovo – este é o contrário da cenoura, entrou frágil e depois de cozer ficou duro. A terceira tinha pó de café que depois de ferver se foi dissolvendo na água. E volto-te então a fazer a pergunta: E o que és tu? És a cenoura, muito forte, muito robusto mas quando os problemas batem à porta vais ficando mole, frágil, sem resistência…? Ou és o ovo, muito frágil e quando os problemas da vida aparecem tornas-te duro, frio, arrogante, calculistas…? Ou és o café, simples e puro e que com os problemas te vais envolvendo neles e vais modificando a vida tornando com outro aroma, com outra cor e mesmo com outro sabor…?

quinta-feira, abril 12

É vermelho, é bom...

Esta informação veio da página da Confederação dos Agricultores Portugueses. Já que são eles que cultivam o tomate, devem saber...

As antigas civilizações do Peru e do Equador foram as primeiras a saborear o tomate no seu estado selvagem, ao qual chamavam “ximate”, “zitomate” ou “tumati”? Mas, o tomate, tal como o conhecemos, chegou à Europa apenas no séc. XVI. Até aqui a «bonita fruta vermelha», como era chamada, servia apenas para ornamentar as mesas; os europeus não o comiam por julgarem-no venenoso ou afrodisíaco. Hoje, o tomate é um dos produtos mais cultivados no mundo e a sua grande aceitação começou no início do séc. XX com a crescente popularidade do ketchup.



NOTA: E então a bela da salada? E o gaspacho fresquinho no Verão?

quarta-feira, abril 11

Ainda o Grandioso Concurso...

Vá lá... agora que vieram de férias, estão fresquinhos. Cá vai mais um par:

ADIVINHA

Sou uma velha encarquilhada,
Neste país não fui criada;
Trouxeram-me por tal engenho,
Quanto mais me querem, mais queimo.

PROVÉRBIO

a açorda faz a velha gorda...???

terça-feira, abril 10

Agora a sério...


Não é que não seja tudo muito a sério neste espaço gastronómico, mas agora aqui vão umas indicaçõezinhas para almas mais perdidas.

Já recebi de quase todos o trabalho que vos tinha pedido. Melhor ou pior, muita coisa chegou até à bruxal caixa do correio. Algumas já devolvi (com os competentes comentários!), o resto irá dentro de muito pouco tempo.

Mas para não ficarem parados, aqui vai a espinha dorsal do que a Bruxa espera que façam na vossa Prova de Aprendizes de Palco:


1. Arnold Wesker – vida e obra
2. Contexto histórico da obra de Wesker
3. Contexto teatral da obra de Wesker: as rupturas do teatro dos anos 50 em Inglaterra
3.1. Angry Young Men e o kitchen-sink drama
3.2. Teatro político: o conceito de arte para Wesker
4. Da vida para o palco: as cozinhas na vida de Wesker e A Cozinha
5. Análise da peça e personagens
6. Diário


Ou seja, podem ir avançando nestes vários pontos, sem esperarem que eu vos devolva o trabalho todo. A Bruxa ainda não publicou tudo - nomeadamente falta todo o ponto 4. - mas já há muita coisa e o tratado tem de estar pronto no início do mês de Maio, dentro de três semanas.

Já caíram todos para o lado? Não caiam, perdem tempo. Atirem-se à Despensa e toca a trabalhar!

Dia Mundial do Cabo da Colher



Caro(a) amigo(a) (ou colega, ex profe, etc...)

Celebra-se no próximo dia 10 de Abril o Dia Mundial do Cabo da Colher. Associe-se à data não comendo sopa (ou comendo-a com um garfo) e trazendo no seu dia de trabalho (ou de descanso, reforma, férias ou conspiração) uma colher bem visível. Os homens poderão trazê-la no bolso do casaco, onde dantes se punha o lencinho, ou na lapela onde dantes se usava a Comenda da Conceição. Quanto às senhoras poderão usá-la como adereço; como pulseira, pregadeira, pendurada ao pescoço ou então podem furar duas colheres de café para fazer uns brincos.

Neste dia dar-se-á assim o merecido descanso a uma das ferramentas mais úteis e injustamente esquecidas da humanidade, o cabo da colher, responsável pela invenção da sopa (e o que seria da Mafalda do Quino sem a sopa!?).


Aguardam-se nesse dia várias comunicações a nível mundial alusivas à data, bem como um número extra de várias revistas de nível mundial. Terão ainda lugar spoon handle parades em vários pontos do mundo e uma distribuição de sopa aos pobres, que terá de ser tomada por palhinhas.


Pelo Comité organizador do Dia Mundial do Cabo da Colher:

A* S*

segunda-feira, abril 9

Da cozinha para o atelier...



O Centro Cultural de S. Lourenço, aventura que deve a sua origem a um casal de alemães apaixonados pelo Algarve, Marie e Volker Huber, faz vinte e cinco anos e para celebrar a efeméride juntou quarenta amigos artistas à volta de tachos e panelas, numa exposição de muito bom gosto.

"Alguns são bons cozinheiros mas todos são bons garfos", foi a forma como Marie definiu todos os convidados a quem pediu que escolhessem uma receita preferida e fizessem uma obra de arte a partir dela. O resultado final foi publicado em livro, também ele já disponível.

Já nenhum dos aprendizes estará no Algarve, talvez, mas podem sempre ir dar um espreitadela à página do Centro para verem outra forma de abordar a cozinha...

domingo, abril 8

Páscoa e Primavera...



A todos os aprendizes de feitiçaria que frequentam as aulas lá para os lados da Amoreira, a Bruxa deseja uma óptima Páscoa!

Comam folar, amêndoas e ovos de chocolate (lavem os dentes, por causa das cáries!) e celebrem esta data tão importante do calendário judaico-cristão.

Não se esqueçam também que estamos a festejar uma antiga tradição que agradece à terra o renascer primaveril! E viva as flores!

sexta-feira, abril 6

Páscoa(s) na Cozinha...



A Páscoa, festa da ressureição de Cristo, tem origens muito antigas: as festividades que estão na sua origem celebravam o renascer da terra na Primavera, após o longo sono de Inverno: daí as tradições em torno dos ovos, uma vez que estes eram o símbolo da ressurreição, a promessa de novas vidas. Os ovos pintados são uma tradição muito importante em muitos países, muitas vezes associados ao coelho da Páscoa, também ele símbolo da fertilidade que se desejava para a terra.

No calendário judaico, a Páscoa – Pesach (passagem) – marcava o dia da fuga do povo judeu do Egipto, a caminho da Terra Prometida. Por isso, a ceia – borrego e pão ázimo – era comida de pé, como forma de simbolizar os preparativos para essa viagem tão importante na história do povo judeu. As tradições associadas à festa da Páscoa são muitas e variadas, religiosas e pagãs. Uma das mais curiosas será talvez a dos “chapéus de Páscoa” que se cumpre nos EUA.
Em Portugal, e para voltarmos para a Cozinha, as tradições gastronómicas incluem os folares: bolo de massa seca, doce e ligada, feita de farinha de trigo, ovos, leite, axeite, banha ou pingue, açúcar e fermento, condimentada com canela e erva-doce, encimado por um ou vários ovos cozidos, inteiros e em certos lugares tingidos, meio incrustrados e visíveis, sob as tiras de massa que os recobrem. Em Castelo de Vide, os folares assumem formas variadas, sendo uma das mais populares os lagartos com olhos feitos de feijão frade. Outro alimento muito consumido em Portugal nesta época é o cabrito, preparado sobretudo no forno.
É também tradição oferecerem-se ovos de chocolate e amêndoas. Estas são consideradas anúncio da Primavera: é um pouco antes desta altura que as amendoeiras se cobrem de flores, proporcionando espectáculos de rara beleza em várias zonas do país...
Para mais algumas informações sobre as tradições pascais portuguesas, vão aqui.

quinta-feira, abril 5

Colegas do país do Sol Nascente...



Tal como as ONGs deste mundo, também este espaço se alimenta das contribuições que recebe. E não é que o nosso aprendiz arbóreo descobriu um ensaio do texto do Wesker do outro lado do mundo?

Tentem perceber o que é vida da cozinha e o que é ensaio de teatro... Olhem para os gestos, vejam a experiência... e pensem que, no país do Sol Nascente, existem colegas vossos!


E, já agora, olhem bem para este prato de sushi! Não tem um ar saboroso?

quarta-feira, abril 4

Cá está ela!

Pois é, agora já posso publicar aqui a tão desejada lista!

A COZINHA - DISTRIBUIÇÃO

MAGI –
MAX – Fernando Ramos
BERTHA – Naura Valle / Nádia Coelho
MOLLY – Sara Medinas
WINNIE – Rafaela Silva
MANGOLIS -
PAUL – Sérgio Marcelino
RAYMOND – José Redondo
HETTIE – Ana Isa / Joana Pires
VIOLET – Celina Ferraz
ANNE – Isabel Macedo
GWEN – Joana Matias
DAPNHE – Karolina Domingues
CYNTHIA – Maria Figueiredo
DIMITRI – Edgar Morais
BETTY – Marisa Correia
JACKIE – Maria Elisa / Filipa Monteiro
HANS – Rafael Morais
MONIQUE – Laura Galvão / Marta Pomposo
ALFREDO – Pedro Caseiro
MICHAEL – João Vilas
GASTON – André Gonçalves
KEVIN – Tomás Alves
NICHOLAS – Mário Oliveira
PETER – Luís Lobão
FRANK – Carlos Balbino
CHEFE -
CHEFE DE MESA -
MARANGO -
VAGABUNDO -
Criadas de Mesa
Ajudantes


NOTA:
Aguarda-se confirmação por parte da escola da participação dos alunos:
Catarina Ramos
Bernardo Santos
Cristiana Antunes
Joana Teixeira
Paula Azevedo

Caldeirada...

Em vésperas de caldeirada o outro dia,
Já que o peixe estava todo reunido,
Teve o goraz a ideia de falar à assembleia
No que foi muito aplaudido.

”Camaradas,” principia, “a ordem do dia
É tudo aquilo que for poluição
Porque o homem que é um tipo cabeçudo
Resolveu destruir tudo pois então

E com tal habilidade e intensidade
Nas fulguranças do génio
Que transforma a água pura numa espécie de mistura
Que nem tem oxigénio!”

”E diz ele que é o rei da criação
As coisas que a gente lhe ouve e tem que ser!
Mas a minha opinião,” diz o pargo capatão,
”Gostava de lha dizer.”

”Pois se a gente até se afoga,”
Grita a boga, “por o homem ter estragado o ambiente!
Deu cabo da criação esse pimpão
E isso não é decente!”

Diz do seu lugar “‘tá mal”, o carapau,
”Porque por estes caminhos
Certo vamos mais ou menos ficando todos pequenos
Assim como os ‘jaquinzinhos’.”

Diz então o camarão a certa altura:
”Mas o que é que nós ganhamos por falar?”
”Ó seu grande camarão,” pergunta então o cação
”Você nem quer refilar?”

”Se quer morrer,” diz a lula toda fula
Com a mania da cerveja e dos cafézes,
”Morra lá à sua vontade que assim seja
Para agradar aos fregueses.”

Diz nessa altura a sardinha prá tainha:
”Sabe a última do dia? A pescadinha já louca
Meteu o rabo na boca
O que é uma porcaria!”

”Peço a palavra,” gritou o caranguejo,
”Eu que tenho por mania observar
Tenho estudado a questão e vejo a poluição
Dia e noite a aumentar.

Cai do céu a água pura
E a criatura pensa que aquilo que é dele é monopólio
Vai a gente beber dela e a goela
Fica cheia de petróleo!

A terra e o mar são para o cidadão
Assim como o seu palácio
Se um dia lhe deito o dente
Pago tudo de repente ou eu não seja crustáceo!”

“É um tipo irresponsável,” grita o sável,
”O homem que tal aquele
Vai a proposta p’rá mesa ou respeita a natureza
Ou vamos todos a ele!”
O tema Caldeirada, escrito especialmente para Amália, por Alberto Janes, teve a sua primeira edição em 1977. Pode ser encontrado no CD O melhor de Amália vol. III.

terça-feira, abril 3

Atenção! Muita atenção...!

Cumprindo rigorosamente o calendário anunciado, quem de direito fez a distribuição d’A Cozinha, distribuição que, na sua forma final (até ao momento!), se encontra cuidadosamente depositada no computador da Bruxa.
Como combinado entre as duas partes em presença, amanhã de manhã, a Bruxa saltará para a sua vassoura e irá entregar tão precioso documento nas mãos de alguém que esteja a trabalhar naquela escola de bruxices, ali para os lados da Amoreira.
Não, não vou cedo. Sim, vou antes da hora do almoço.
Escusam de perguntar, pedir, implorar, emailar, msnar... a Bruxa não divulga o teor do papelinho (ainda) virtual.


segunda-feira, abril 2

Quente mas devagar...


O banho-maria é uma técnica de aquecimento muito lento que utiliza um recipiente com água quente, dentro do qual se coloca um segundo recipiente onde se coloca o alimento que se deseja aquecer. Utilizado desde tempos muito antigos na Alquimia, faz hoje parte dos processos laboratoriais de Química, encontrando-se também na cozinha. Tem por vantagem permitir um aquecimento lento e sem choques térmicos e um controlo preciso desse aquecimento. O chocolate para a mousse derrete-se em banho-maria.
A descoberta deste processo é atribuída ao alquimista francês Albert le Grand (1193-1280), que descreveu a técnica pela primeira vez. Também se diz que o nome foi criado em homenagem à alquimista Maria, a Judia (séc. IV a.C.) de quem se diz ter criado outros utensílios de cozinha.
Diz-se de um assunto que está "em banho-maria" quando se quer dizer que não avança ou avança muito devagarinho...

domingo, abril 1

O Dia das Mentiras...


O dia um de Abril é um dia em que se pregam partidas e se dizem mentiras mas nem sempre assim foi. Tendo analisado o que se sabe sobre esta data, os historiadores chegaram a várias hipóteses. Em cada país, a tradição assumiu um rumo diferente...
Durante séculos, o ano começava no dia 1 de Abril, com a chegada da Primavera. As pessoas trocavam votos de boa sorte e prendas. Muitas vezes se visitavam umas às outras, iam ver amigos e família e levavam presentes, de preferência comestíveis. Era de bom gosto que se oferecesse qualquer coisa à base de peixe, por respeito com o fim da Quaresma, período em que era proibido comer carne.
Em 1564, o rei de França, Carlos X, mudou isto tudo ao adoptar por decreto o calendário gregoriano, deslocando o primeiro dia do ano para o dia 1 de Janeiro.
Mesmo assim, no dia 1 de Abril, muitos brincalhões continuaram a fazer visitas e a oferecer presentes, muitas vezes falsos, para se divertirem, fazendo crer aos mais crédulos que estavam enganados na data. Ofereciam peixe falso, por exemplo.
No século XIX, tornou-se hábito pedir aos aprendizes e ajudantes das várias profissões que realizassem tarefas impossíveis: procurar óleo de cotovelo, arranjar um garfo sem dentes, uma peneira sem furos ou um pau que só tivesse uma extremidade. Rapidamente se espalhou a crença de que pregar uma partida antes do meio-dia do dia 1 de Abril trazia boa sorte e fazê-lo depois dessa hora trazia azar.
O costume pegou e mantém-se ainda hoje, sendo que, em França, este dia é conhecido como “poisson d’Avril” [peixe de Abril]. Há quem diga que o peixe foi escolhido para emblema deste dia porque coincidia com a abertura da pesca, brincando-se assim com os pescadores que saím para pescar... e voltavam de mãos vazias! Opiniões...
Nos EUA e Inglaterra fala-se do "April Fool" (louco de Abril) sem qualquer referência ao peixe.
Na Alemanha, quando se diz a mentira ou prega a partida diz-se “April April” ou “Aprilscherz” (brincadeira de Abril) para que as pessoas saibam do que se trata. As brincadeiras deste dia existem desde 1631 mas pensa-se que terão tido origem mais remota.
Em Portugal, durante muito tempo, foi hábito da imprensa publicar notícias falsas, só desmentidas no dia seguinte. Duas célebres foram da revista Visão que noticiou que o governo estava a pensar actualizar a letra do hino nacional e do Diário de Notícias, que durante as obras da estação de Metro do Marquês de Pombal, publicou uma fotografia dizendo que a estátua estava a entortar...

sábado, março 31

Um bolo musical...

Já Rossini sabia que depois de uma boa hora de música, nada melhor do que uma boa refeição! Houve alguém que, sendo de opinião semelhante, deu corpo a esta relação ópera/comida de uma maneira muito imaginosa e cheia de fantasia.
Uma amiga da capital nortenha enviou-me a sugestão, que aqui deixo ficar para deleite dos vossos olhos e ouvidos!
E para acompanhar, nada melhor do que um cocktail de fruta, bem geladinho!

quinta-feira, março 29

A Bruxa põe... e as circunstâncias dispõem!

Pois é. A Bruxa tinha pensado dar-vos hoje a conhecer um dos vossos antepassados: um cozinheiro famoso de há muito tempo, contemporâneo de uma das bruxas mais antigas de que há memória... As o acaso decidiu que não seria assim. Em vez de viajar para o passado, a Bruxa teve de pegar na bola de cristal e olhar para o futuro. Vejamos então...
Sabem o que é gastronomia molecular?

É uma forma de preparação dos alimentos em que se exploram as interacções químicas e físicas que ocorrem durante o processo culinário. Experimentado em laboratório, tem resultados muito divertidos.
Podemos começar pelo menu comestível cujo papel pode ser "temperado" com líquidos que fazem as vezes de tinta e que têm o saber do prato que referem, criando assim ao cliente a hipótese de experimentar o sabor do prato que vai encomendar.

Encomendemos então: esferas de sopa de peixe sobre algas verdes
com sabor a amêijoas à Bolhão Pato.
Pedimos um pão com menos calorias passamos para outro prato igualmente colorido
e terminamos com um gelado que deita fumo!
Podemos não gostar dos sabores, mas lá que é animado e variado, é...