quinta-feira, abril 12

É vermelho, é bom...

Esta informação veio da página da Confederação dos Agricultores Portugueses. Já que são eles que cultivam o tomate, devem saber...

As antigas civilizações do Peru e do Equador foram as primeiras a saborear o tomate no seu estado selvagem, ao qual chamavam “ximate”, “zitomate” ou “tumati”? Mas, o tomate, tal como o conhecemos, chegou à Europa apenas no séc. XVI. Até aqui a «bonita fruta vermelha», como era chamada, servia apenas para ornamentar as mesas; os europeus não o comiam por julgarem-no venenoso ou afrodisíaco. Hoje, o tomate é um dos produtos mais cultivados no mundo e a sua grande aceitação começou no início do séc. XX com a crescente popularidade do ketchup.



NOTA: E então a bela da salada? E o gaspacho fresquinho no Verão?

quarta-feira, abril 11

Ainda o Grandioso Concurso...

Vá lá... agora que vieram de férias, estão fresquinhos. Cá vai mais um par:

ADIVINHA

Sou uma velha encarquilhada,
Neste país não fui criada;
Trouxeram-me por tal engenho,
Quanto mais me querem, mais queimo.

PROVÉRBIO

a açorda faz a velha gorda...???

terça-feira, abril 10

Agora a sério...


Não é que não seja tudo muito a sério neste espaço gastronómico, mas agora aqui vão umas indicaçõezinhas para almas mais perdidas.

Já recebi de quase todos o trabalho que vos tinha pedido. Melhor ou pior, muita coisa chegou até à bruxal caixa do correio. Algumas já devolvi (com os competentes comentários!), o resto irá dentro de muito pouco tempo.

Mas para não ficarem parados, aqui vai a espinha dorsal do que a Bruxa espera que façam na vossa Prova de Aprendizes de Palco:


1. Arnold Wesker – vida e obra
2. Contexto histórico da obra de Wesker
3. Contexto teatral da obra de Wesker: as rupturas do teatro dos anos 50 em Inglaterra
3.1. Angry Young Men e o kitchen-sink drama
3.2. Teatro político: o conceito de arte para Wesker
4. Da vida para o palco: as cozinhas na vida de Wesker e A Cozinha
5. Análise da peça e personagens
6. Diário


Ou seja, podem ir avançando nestes vários pontos, sem esperarem que eu vos devolva o trabalho todo. A Bruxa ainda não publicou tudo - nomeadamente falta todo o ponto 4. - mas já há muita coisa e o tratado tem de estar pronto no início do mês de Maio, dentro de três semanas.

Já caíram todos para o lado? Não caiam, perdem tempo. Atirem-se à Despensa e toca a trabalhar!

Dia Mundial do Cabo da Colher



Caro(a) amigo(a) (ou colega, ex profe, etc...)

Celebra-se no próximo dia 10 de Abril o Dia Mundial do Cabo da Colher. Associe-se à data não comendo sopa (ou comendo-a com um garfo) e trazendo no seu dia de trabalho (ou de descanso, reforma, férias ou conspiração) uma colher bem visível. Os homens poderão trazê-la no bolso do casaco, onde dantes se punha o lencinho, ou na lapela onde dantes se usava a Comenda da Conceição. Quanto às senhoras poderão usá-la como adereço; como pulseira, pregadeira, pendurada ao pescoço ou então podem furar duas colheres de café para fazer uns brincos.

Neste dia dar-se-á assim o merecido descanso a uma das ferramentas mais úteis e injustamente esquecidas da humanidade, o cabo da colher, responsável pela invenção da sopa (e o que seria da Mafalda do Quino sem a sopa!?).


Aguardam-se nesse dia várias comunicações a nível mundial alusivas à data, bem como um número extra de várias revistas de nível mundial. Terão ainda lugar spoon handle parades em vários pontos do mundo e uma distribuição de sopa aos pobres, que terá de ser tomada por palhinhas.


Pelo Comité organizador do Dia Mundial do Cabo da Colher:

A* S*

segunda-feira, abril 9

Da cozinha para o atelier...



O Centro Cultural de S. Lourenço, aventura que deve a sua origem a um casal de alemães apaixonados pelo Algarve, Marie e Volker Huber, faz vinte e cinco anos e para celebrar a efeméride juntou quarenta amigos artistas à volta de tachos e panelas, numa exposição de muito bom gosto.

"Alguns são bons cozinheiros mas todos são bons garfos", foi a forma como Marie definiu todos os convidados a quem pediu que escolhessem uma receita preferida e fizessem uma obra de arte a partir dela. O resultado final foi publicado em livro, também ele já disponível.

Já nenhum dos aprendizes estará no Algarve, talvez, mas podem sempre ir dar um espreitadela à página do Centro para verem outra forma de abordar a cozinha...

domingo, abril 8

Páscoa e Primavera...



A todos os aprendizes de feitiçaria que frequentam as aulas lá para os lados da Amoreira, a Bruxa deseja uma óptima Páscoa!

Comam folar, amêndoas e ovos de chocolate (lavem os dentes, por causa das cáries!) e celebrem esta data tão importante do calendário judaico-cristão.

Não se esqueçam também que estamos a festejar uma antiga tradição que agradece à terra o renascer primaveril! E viva as flores!

sexta-feira, abril 6

Páscoa(s) na Cozinha...



A Páscoa, festa da ressureição de Cristo, tem origens muito antigas: as festividades que estão na sua origem celebravam o renascer da terra na Primavera, após o longo sono de Inverno: daí as tradições em torno dos ovos, uma vez que estes eram o símbolo da ressurreição, a promessa de novas vidas. Os ovos pintados são uma tradição muito importante em muitos países, muitas vezes associados ao coelho da Páscoa, também ele símbolo da fertilidade que se desejava para a terra.

No calendário judaico, a Páscoa – Pesach (passagem) – marcava o dia da fuga do povo judeu do Egipto, a caminho da Terra Prometida. Por isso, a ceia – borrego e pão ázimo – era comida de pé, como forma de simbolizar os preparativos para essa viagem tão importante na história do povo judeu. As tradições associadas à festa da Páscoa são muitas e variadas, religiosas e pagãs. Uma das mais curiosas será talvez a dos “chapéus de Páscoa” que se cumpre nos EUA.
Em Portugal, e para voltarmos para a Cozinha, as tradições gastronómicas incluem os folares: bolo de massa seca, doce e ligada, feita de farinha de trigo, ovos, leite, axeite, banha ou pingue, açúcar e fermento, condimentada com canela e erva-doce, encimado por um ou vários ovos cozidos, inteiros e em certos lugares tingidos, meio incrustrados e visíveis, sob as tiras de massa que os recobrem. Em Castelo de Vide, os folares assumem formas variadas, sendo uma das mais populares os lagartos com olhos feitos de feijão frade. Outro alimento muito consumido em Portugal nesta época é o cabrito, preparado sobretudo no forno.
É também tradição oferecerem-se ovos de chocolate e amêndoas. Estas são consideradas anúncio da Primavera: é um pouco antes desta altura que as amendoeiras se cobrem de flores, proporcionando espectáculos de rara beleza em várias zonas do país...
Para mais algumas informações sobre as tradições pascais portuguesas, vão aqui.

quinta-feira, abril 5

Colegas do país do Sol Nascente...



Tal como as ONGs deste mundo, também este espaço se alimenta das contribuições que recebe. E não é que o nosso aprendiz arbóreo descobriu um ensaio do texto do Wesker do outro lado do mundo?

Tentem perceber o que é vida da cozinha e o que é ensaio de teatro... Olhem para os gestos, vejam a experiência... e pensem que, no país do Sol Nascente, existem colegas vossos!


E, já agora, olhem bem para este prato de sushi! Não tem um ar saboroso?

quarta-feira, abril 4

Cá está ela!

Pois é, agora já posso publicar aqui a tão desejada lista!

A COZINHA - DISTRIBUIÇÃO

MAGI –
MAX – Fernando Ramos
BERTHA – Naura Valle / Nádia Coelho
MOLLY – Sara Medinas
WINNIE – Rafaela Silva
MANGOLIS -
PAUL – Sérgio Marcelino
RAYMOND – José Redondo
HETTIE – Ana Isa / Joana Pires
VIOLET – Celina Ferraz
ANNE – Isabel Macedo
GWEN – Joana Matias
DAPNHE – Karolina Domingues
CYNTHIA – Maria Figueiredo
DIMITRI – Edgar Morais
BETTY – Marisa Correia
JACKIE – Maria Elisa / Filipa Monteiro
HANS – Rafael Morais
MONIQUE – Laura Galvão / Marta Pomposo
ALFREDO – Pedro Caseiro
MICHAEL – João Vilas
GASTON – André Gonçalves
KEVIN – Tomás Alves
NICHOLAS – Mário Oliveira
PETER – Luís Lobão
FRANK – Carlos Balbino
CHEFE -
CHEFE DE MESA -
MARANGO -
VAGABUNDO -
Criadas de Mesa
Ajudantes


NOTA:
Aguarda-se confirmação por parte da escola da participação dos alunos:
Catarina Ramos
Bernardo Santos
Cristiana Antunes
Joana Teixeira
Paula Azevedo

Caldeirada...

Em vésperas de caldeirada o outro dia,
Já que o peixe estava todo reunido,
Teve o goraz a ideia de falar à assembleia
No que foi muito aplaudido.

”Camaradas,” principia, “a ordem do dia
É tudo aquilo que for poluição
Porque o homem que é um tipo cabeçudo
Resolveu destruir tudo pois então

E com tal habilidade e intensidade
Nas fulguranças do génio
Que transforma a água pura numa espécie de mistura
Que nem tem oxigénio!”

”E diz ele que é o rei da criação
As coisas que a gente lhe ouve e tem que ser!
Mas a minha opinião,” diz o pargo capatão,
”Gostava de lha dizer.”

”Pois se a gente até se afoga,”
Grita a boga, “por o homem ter estragado o ambiente!
Deu cabo da criação esse pimpão
E isso não é decente!”

Diz do seu lugar “‘tá mal”, o carapau,
”Porque por estes caminhos
Certo vamos mais ou menos ficando todos pequenos
Assim como os ‘jaquinzinhos’.”

Diz então o camarão a certa altura:
”Mas o que é que nós ganhamos por falar?”
”Ó seu grande camarão,” pergunta então o cação
”Você nem quer refilar?”

”Se quer morrer,” diz a lula toda fula
Com a mania da cerveja e dos cafézes,
”Morra lá à sua vontade que assim seja
Para agradar aos fregueses.”

Diz nessa altura a sardinha prá tainha:
”Sabe a última do dia? A pescadinha já louca
Meteu o rabo na boca
O que é uma porcaria!”

”Peço a palavra,” gritou o caranguejo,
”Eu que tenho por mania observar
Tenho estudado a questão e vejo a poluição
Dia e noite a aumentar.

Cai do céu a água pura
E a criatura pensa que aquilo que é dele é monopólio
Vai a gente beber dela e a goela
Fica cheia de petróleo!

A terra e o mar são para o cidadão
Assim como o seu palácio
Se um dia lhe deito o dente
Pago tudo de repente ou eu não seja crustáceo!”

“É um tipo irresponsável,” grita o sável,
”O homem que tal aquele
Vai a proposta p’rá mesa ou respeita a natureza
Ou vamos todos a ele!”
O tema Caldeirada, escrito especialmente para Amália, por Alberto Janes, teve a sua primeira edição em 1977. Pode ser encontrado no CD O melhor de Amália vol. III.

terça-feira, abril 3

Atenção! Muita atenção...!

Cumprindo rigorosamente o calendário anunciado, quem de direito fez a distribuição d’A Cozinha, distribuição que, na sua forma final (até ao momento!), se encontra cuidadosamente depositada no computador da Bruxa.
Como combinado entre as duas partes em presença, amanhã de manhã, a Bruxa saltará para a sua vassoura e irá entregar tão precioso documento nas mãos de alguém que esteja a trabalhar naquela escola de bruxices, ali para os lados da Amoreira.
Não, não vou cedo. Sim, vou antes da hora do almoço.
Escusam de perguntar, pedir, implorar, emailar, msnar... a Bruxa não divulga o teor do papelinho (ainda) virtual.


segunda-feira, abril 2

Quente mas devagar...


O banho-maria é uma técnica de aquecimento muito lento que utiliza um recipiente com água quente, dentro do qual se coloca um segundo recipiente onde se coloca o alimento que se deseja aquecer. Utilizado desde tempos muito antigos na Alquimia, faz hoje parte dos processos laboratoriais de Química, encontrando-se também na cozinha. Tem por vantagem permitir um aquecimento lento e sem choques térmicos e um controlo preciso desse aquecimento. O chocolate para a mousse derrete-se em banho-maria.
A descoberta deste processo é atribuída ao alquimista francês Albert le Grand (1193-1280), que descreveu a técnica pela primeira vez. Também se diz que o nome foi criado em homenagem à alquimista Maria, a Judia (séc. IV a.C.) de quem se diz ter criado outros utensílios de cozinha.
Diz-se de um assunto que está "em banho-maria" quando se quer dizer que não avança ou avança muito devagarinho...

domingo, abril 1

O Dia das Mentiras...


O dia um de Abril é um dia em que se pregam partidas e se dizem mentiras mas nem sempre assim foi. Tendo analisado o que se sabe sobre esta data, os historiadores chegaram a várias hipóteses. Em cada país, a tradição assumiu um rumo diferente...
Durante séculos, o ano começava no dia 1 de Abril, com a chegada da Primavera. As pessoas trocavam votos de boa sorte e prendas. Muitas vezes se visitavam umas às outras, iam ver amigos e família e levavam presentes, de preferência comestíveis. Era de bom gosto que se oferecesse qualquer coisa à base de peixe, por respeito com o fim da Quaresma, período em que era proibido comer carne.
Em 1564, o rei de França, Carlos X, mudou isto tudo ao adoptar por decreto o calendário gregoriano, deslocando o primeiro dia do ano para o dia 1 de Janeiro.
Mesmo assim, no dia 1 de Abril, muitos brincalhões continuaram a fazer visitas e a oferecer presentes, muitas vezes falsos, para se divertirem, fazendo crer aos mais crédulos que estavam enganados na data. Ofereciam peixe falso, por exemplo.
No século XIX, tornou-se hábito pedir aos aprendizes e ajudantes das várias profissões que realizassem tarefas impossíveis: procurar óleo de cotovelo, arranjar um garfo sem dentes, uma peneira sem furos ou um pau que só tivesse uma extremidade. Rapidamente se espalhou a crença de que pregar uma partida antes do meio-dia do dia 1 de Abril trazia boa sorte e fazê-lo depois dessa hora trazia azar.
O costume pegou e mantém-se ainda hoje, sendo que, em França, este dia é conhecido como “poisson d’Avril” [peixe de Abril]. Há quem diga que o peixe foi escolhido para emblema deste dia porque coincidia com a abertura da pesca, brincando-se assim com os pescadores que saím para pescar... e voltavam de mãos vazias! Opiniões...
Nos EUA e Inglaterra fala-se do "April Fool" (louco de Abril) sem qualquer referência ao peixe.
Na Alemanha, quando se diz a mentira ou prega a partida diz-se “April April” ou “Aprilscherz” (brincadeira de Abril) para que as pessoas saibam do que se trata. As brincadeiras deste dia existem desde 1631 mas pensa-se que terão tido origem mais remota.
Em Portugal, durante muito tempo, foi hábito da imprensa publicar notícias falsas, só desmentidas no dia seguinte. Duas célebres foram da revista Visão que noticiou que o governo estava a pensar actualizar a letra do hino nacional e do Diário de Notícias, que durante as obras da estação de Metro do Marquês de Pombal, publicou uma fotografia dizendo que a estátua estava a entortar...

sábado, março 31

Um bolo musical...

Já Rossini sabia que depois de uma boa hora de música, nada melhor do que uma boa refeição! Houve alguém que, sendo de opinião semelhante, deu corpo a esta relação ópera/comida de uma maneira muito imaginosa e cheia de fantasia.
Uma amiga da capital nortenha enviou-me a sugestão, que aqui deixo ficar para deleite dos vossos olhos e ouvidos!
E para acompanhar, nada melhor do que um cocktail de fruta, bem geladinho!

quinta-feira, março 29

A Bruxa põe... e as circunstâncias dispõem!

Pois é. A Bruxa tinha pensado dar-vos hoje a conhecer um dos vossos antepassados: um cozinheiro famoso de há muito tempo, contemporâneo de uma das bruxas mais antigas de que há memória... As o acaso decidiu que não seria assim. Em vez de viajar para o passado, a Bruxa teve de pegar na bola de cristal e olhar para o futuro. Vejamos então...
Sabem o que é gastronomia molecular?

É uma forma de preparação dos alimentos em que se exploram as interacções químicas e físicas que ocorrem durante o processo culinário. Experimentado em laboratório, tem resultados muito divertidos.
Podemos começar pelo menu comestível cujo papel pode ser "temperado" com líquidos que fazem as vezes de tinta e que têm o saber do prato que referem, criando assim ao cliente a hipótese de experimentar o sabor do prato que vai encomendar.

Encomendemos então: esferas de sopa de peixe sobre algas verdes
com sabor a amêijoas à Bolhão Pato.
Pedimos um pão com menos calorias passamos para outro prato igualmente colorido
e terminamos com um gelado que deita fumo!
Podemos não gostar dos sabores, mas lá que é animado e variado, é...

quarta-feira, março 28

Uvas castelãs...



Ainda vem longe o tempo das vindimas. Mas é Primavera e as folhas despontam já. Como estão de férias, aqui têm um pequeno exercício enquanto esperam o aparecimento das uvas.

Notícias teatrais...

Ontem, Dia Mundial do Teatro, a Bruxa deslocou-se ao CCC para os festejos aqui antes anunciados. Lá chegou e começou logo por ficar espantada com a quantidade de gente que por ali andava: ainda bem que o teatro ainda faz mexer as pessoas!


Foi depois com gosto que a Bruxa assistiu às cenas da peça do churrascado António José da Silva: lá no canto onde se encontram, os senhores da Inquisição não devem ter ficado nada satisfeitos com a boa disposição, alegria, humor e vivacidade que o teatro dele trouxe àquela sala cheia de eco.

A todos os participantes gostaria de dar os meus parabéns. Gostei muito do que vi, ri-me com gosto e, no fim, gostei de ver o ar feliz de quantos estavam naquele palco. Foi uma bela festa de teatro!



E claro, não quero deixar de prestar aqui a minha homenagem a essa mulher que tanto tem lutado pela arte de que todos gostamos. Muito obrigada, Maria do Céu Guerra.

terça-feira, março 27

Dia Mundial do Teatro

O Dia Mundial do Teatro foi criado em 1961 pelo International Theatre Institute, organização não-governamental, fundada em Praga em 1948 pela UNESCO em conjunto com a comunidade teatral. Todos os anos, a 27 de Março, o Dia Mundial do Teatro é comemorado pelos centros do ITI e pela comunidade teatral internacional. Muitas iniciativas se organizam para marcar a data. Uma das mais importantes é a divulgação da Mensagem Internacional para o Dia Mundial do Teatro em que, a convite do ITI, uma figura de renome mundial, partilha os seus pensamentos sobre o tema “O Teatro e uma Cultura de Paz”.

Este ano, o convite foi dirigido ao Sultão Bin Mohammed Al Qasimi. Eis a sua mensagem:

Foi durante os meus primeiros tempos de escola que me deixei fascinar pelo teatro, esse mundo de magia que desde então me mantém cativo.
O começo foi modesto, um encontro acidental que encarei apenas como uma actividade extra-curricular para enriquecer mente e espírito. Mas haveria de se transformar em algo muito maior do que isso quando me envolvi profundamente como dramaturgo, actor e encenador de um espectáculo teatral. Recordo tratar-se de uma peça política que enfureceu as autoridades do tempo. Todo o material foi confiscado, e perante os meus olhos encerraram o próprio teatro. Mas não se pode esmagar o espírito do teatro debaixo das pesadas botas dos militares armados. Esse espírito procurou abrigo e instalou-se no mais profundo do meu ser, tornando-me plenamente consciente daquilo que o teatro pode fazer na vida das nações, em especial enfrentando todos aqueles que não toleram oposições ou as diferenças de opinião.
Ao longo dos meus anos de universidade no Cairo, o poder e o espírito do teatro enraizaram-se e aprofundaram-se na minha consciência. Li avidamente quase tudo o que se escreveu sobre teatro e vi o amplo leque do que se levou à cena. Esta consciência aprofundou-se ainda mais nos anos seguintes, à medida que tentava acompanhar os últimos desenvolvimentos no mundo do teatro.
Nas minhas leituras sobre teatro, desde o tempo dos gregos até aos nossos dias, tornei-me profundamente consciente da magia interior que os muitos mundos do teatro têm o poder de exercer. É assim que o teatro alcança as zonas mais profundas e escondidas da alma humana e desvenda os tesouros escondidos que estão bem no fundo do espírito do homem. Isto reforçou a minha já inabalável fé no poder do teatro e no teatro como instrumento de unificação através do qual o homem pode espalhar o amor e a paz. O poder do teatro também permite que se abram novos canais de diálogo entre raças diferentes, etnias diferentes, cores diferentes e credos diferentes. Pessoalmente, isto ensinou-me a aceitar os outros como eles são e instilou em mim a crença que a humanidade pode unir-se no bem, ao passo que, no mal, só poderá dividir-se. É verdade que a luta entre o bem e o mal é intrínseca ao código teatral. No entanto, em última análise, o bom-senso prevalece e a natureza humana alinhará, em larga medida, com tudo o que é bom, puro e virtuoso.
As guerras que atormentaram a humanidade desde os tempos mais antigos tiveram sempre por motivo instintos maléficos que, muito simplesmente, são incapazes de reconhecer a beleza. O teatro aprecia a beleza e até poderíamos defender que nenhuma forma de arte consegue apreender a beleza com mais fidelidade do que o teatro. O teatro é um receptáculo global para todas as formas de beleza e os que não valorizam a beleza não podem dar valor à vida.
O teatro é vida. Nunca como agora existiu um tempo em que é dever de todos fazer a denúncia das guerras fúteis e das diferenças doutrinais que, muitas vezes, levantam as suas feias cabeçorras sem se deixarem intimidar por uma consciência plena de responsabilidade. Temos de pôr um fim às cenas de violência e mortes aleatórias. No mundo de hoje, estas cenas tornaram-se banais e são tanto mais agravadas pelas diferenças abissais entre a riqueza imoral e a mais abjecta pobreza e por doenças como o SIDA que atormentaram muitas zonas do globo e derrotaram os melhores esforços empreendidos na sua erradicação.
Oh, gente do teatro, é quase como se tivéssemos sido atingidos por uma tempestade e esmagados pela poeira da dúvida e da suspeita que se vai aproximando de nós.
A visibilidade quase se eclipsou e as nossas vozes gritam, quase inaudíveis, por entre o clamor e as divisões que se esforçam por nos manter longe uns dos outros. Na realidade, não fora a nossa crença profunda no diálogo, manifestada de forma tão única numa forma de arte como o teatro, e seríamos varridos pela tempestade que não se poupa a esforços para nos dividir. Por isso, devemos enfrentar e desafiar todos os que não se cansam de agitar a tormenta. Devemos enfrentá-los, não destruí-los, mas erguermo-nos mais alto do que a atmosfera contaminada que ficou na esteira das suas tempestades. Devemos unir os nossos esforços e devotá-los a comunicar a nossa mensagem e a estabelecer laços de amizade com todos aqueles que, entre as nações e os povos, clamam por fraternidade.
Nós não passamos de simples mortais, mas o teatro é tão eterno como a vida.


Quem é o autor:
Formação académica: Bacharelato em Engenharia Agrícola (1971) pela Universidade do Cairo, Egipto; Doutoramento em Filosofia com Distinção em História (1985) pela Universidade de Exeter, Inglaterra; Doutoramento em Filosofia e Geografia Política do Golfo (1999) pela Universidade de Durham, Inglaterra.
Foi feito membro honorário do Instituto de Estudos Africanos (1977) e a Universidade de Cartum, Sudão, concedeu-lhe um doutoramento honoris causa em Direito (1986). Recebeu outros graus de Doutor honoris causa de várias universidades de Inglaterra, Paquistão, Rússia, Malásia e Canadá.
Entre os variados cargos que desempenhou contam-se os de Ministro da Educação dos Emirados Árabes Unidos, Governador de Sharjah, Membro do Conselho Supremo dos UAE, Presidente da Universidade de Sharjah, Professor Catedrático Convidado da Universidade de Exeter, Presidente do Conselho Honorário da World University Service, Professor Catedrático da Universidade de Sharjah e Presidente Honorário da Associação Egípcia para o Estudo da História.
Entre as distinções que recebeu estão o prémio do Instituto de Investigação da História, Arte e Cultura Islâmicas, uma condecoração da Organização Cultural, Científica e Educacional Islâmica, o prémio Rei Faisal para o Islão e os Muçulmanos 2002 e a medalha de ouro da Cultura Árabe da Associação Árabe para a Educação, Cultura e Ciência.
A sua obra é variada, incluindo muito trabalho de investigação científica, ensaística e algumas obras dramáticas.

segunda-feira, março 26

Notícias do Dia Mundial do Teatro



Como todos sabem, amanhã é Dia Mundial do Teatro. E a nossa escola tem planeadas várias iniciativas, entre as quais está a entrega do Prémio Zita Duarte 2006 aos fantásticos ex-EPTCenses Ana Filipa Francisco e Miguel Matias. A cerimónia está marcada para as 18h30m no CCC.







No mesmo local, à mesma hora (não são só as bruxas que têm o dom da ubiquidade!), inaugurar-se-á a exposição da pintora Graça Morais, onde poderão ver os biombos que pintou para a peça do mesmo nome, de Jean Genet, que o Carlos Avilez encenou em 1993. Vão vê-los porque são espectaculares...
Far-se-á ainda uma homenagem à actriz Maria do Céu Guerra, um dos primeiros nomes do TEC. Durante esta homenagem, serão representadas cenas da peça Esopo, de António José da Silva, que foi a peça de estreia do TEC, em 1965. Maria do Céu Guerra fazia então parte do elenco...

sábado, março 24

Grandioso concurso


Há já algum tempo que a Bruxa, atarefada que anda a recolher material para a sua Despensa, não publica nenhum desafio do grandioso concurso de adivinhas e provérbios.
Antes de passar a publicar o que aí vem, deixem que lhes diga que ainda ninguém acertou em tudo e há mesmo soluções que ainda não apareceram DE TODO. Pelo que há ainda MUUUUUIIIITTTTOOOOO espaço para novos concorrentes. Agora que a escola de feitiçaria da Amoreira (?!) está de férias, os seus jovens alunos talvez tenham a cabeça mais livre para estes desafios. Por isso, aqui vão eles:

PROVÉRBIO:

Se eu aquela perdiz mato, ...????

ADIVINHA:

Pucarinhos, pucaretes,
Ó que lindos ramalhetes!
Nem cozidos, nem assados,
Nem comidos com colher...
Não é capaz de adivinhar
Nem p'ró ano que vier.


Um homem com muito mau feitio...



Na quinta-feira, a Bruxa pegou na vassoura e voou até à Praça de Espanha para ver O Misantropo do nosso já velho amigo Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido por Molière, na encenação de Álvaro Correia, com participação de João Têmpera, Miguel Sermão, Sandra Faleiro, Sara Cipriano, Lucinda Loureiro, Vítor Soares e Rogério Vieira para além do próprio Álvaro Correia.
A Bruxa gostou do que viu e, mais ainda, do que ouviu. Viu um espectáculo despojado, sóbrio, com um recurso muito interessante a um elemento de cenário que não vai ser revelado aqui e um trabalho de luz bastante bonito e eficaz. Ouviu um texto bem dito, muito bem trabalhado, bem articulado, em suma, um bom conjunto de interpretações... Já a música... foi um pouco mais dura!
Mas, dito isto, a Bruxa recomenda que nos poucos dias que restam até ao final da carreira destes espectáculo dêem um salto até à Comuna e... vejam o espectáculo que vale a pena!
No mesmo local, anuncia-se já para o próximo mês outra peça do mesmo autor: Tartufo. Mas dessa falaremos a seu tempo...

quinta-feira, março 22

Mensagens...

Tal como vos prometi, aqui vão as mensagens que o mago-mor lá da UNESCO enviou ao mundo por ocasião do Dia Mundial da Poesia:

A poesia é tão variada e flutuante quanto o presente. Não está esculpida em pedra, mas é onde as relações com o mundo, o sentido, a cultura e a linguagem são constantemente criadas e recriadas.
Todos os anos, o Dia Mundial da Poesia, em conjunto com muitos outros acontecimentos, feiras e festas da poesia, cria uma oportunidade para o diálogo e reflexão que pode ajudar a trazer a poesia para o convívio dos povos.
A particularidade da poesia que há que reconhecer é que ela não transmite palavras óbvias que possam ser apreendidas de imediato, antes constrói novas e inovadoras formas de linguagem que nada devem aos códigos comuns.
A poesia, porque oferece uma grande variedade de caminhos e formas de escrever é, por isso, uma área de procura e experiência que permite rever a condição humana na sua globalidade. Esta reapreciação fundamental do uso da língua permite uma reflexão crítica universal sobre palavras, géneros e categorias, toda a gama do que é minimamente traduzível. Ao fazê-lo, desenha os contornos de possíveis formas de diálogo entre culturas, histórias e memórias.
Garantir a promoção e salvaguarda dessas formas de troca e transferência – esse poderia ser o objectivo deste dia que, colocado ao serviço da nossa diversidade criativa, pode, espero, alimentar e renovar a capacidade de cada um de nós de compreender a pluralidade cultural do mundo.
A UNESCO, de mãos dadas com os poetas e leitores de poesia, alia-se hoje à causa de todos os que encontram na linguagem a imaginação criativa e propõem novas formas de arte, aventurando-se a criar novas genealogias que possam reconstruir de novo as interligações, desafios e vocabulários que marcam a nossa modernidade.

Koïchiro Matsuura
Director-Geral da UNESCO
21 de Março de 2007
... e do Dia Mundial da Água
A escassez de água pode minar os esforços de desenvolvimento, ameaçar o ambiente e conduzir à tensão, ao conflito e até mesmo à guerra. No entanto, a História mostra-nos que a falta de água motivou a inovação humana, incitando as sociedades a encontrar recursos que remediassem ou aliviassem essa falta. Este ano, no Dia Mundial da Água, somos encorajados a pensar na forma como as comunidades em todo o mundo estão a “Lidar com a Escassez de Água”, e como os seus esforços podem ser apoiados e reforçados. Preocupação especial se prende aos temas do acesso à água doce e ao impacto social das políticas de distribuição de água. Sendo a crescente escassez e a disputa pela água uma ameaça tanto para a paz como para a erradicação da pobreza, é imperativo garantir uma forma mais eficaz e equitativa de distribuir este recurso vital.
A escassez de água não é apenas o resultado de uma falta física de recursos hídricos. É também agravada por problemas de gestão e regulamentação. O crescimento populacional, o desenvolvimento económico, a poluição e as alterações climáticas, todos exercem pressões sobre os recursos hídricos. Da mesma forma, as actividades humanas como a desflorestação, a construção de barragens, a prevenção da erosão, a rega e os armazenamentos e os transvases, todos afectam os processos hidrológicos e os recursos hídricos à nossa disposição, sublinhando a importância de uma administração responsável.
Se bem que a escassez de água não esteja circunscrita às regiões áridas e semi-áridas, as condições climatéricas e as práticas desordenadas tornam essas zonas altamente vulneráveis à falta de água. Os desenvolvimentos tecnológicos tornaram possível a elevação dos padrões de vida em zonas onde os recursos naturais estão longe de ser abundantes. A tecnologia da dessalinização tornou-se mais acessível, transformando os oceanos em recursos de água doce, mas não é desprovida de custos e consequências ambientais.
Os métodos modernos e tradicionais de recolha aumentam a quantidade de água disponível para consumo. A utilização de aquíferos não-renováveis oferece também uma oportunidade de alívio da crescente escassez de água em regiões onde ela é rara, desenvolvendo assim o bem-estar social e facilitando o desenvolvimento económico. No entanto, estes benefícios têm de ser cuidadosamente ponderados em função dos seus custos. A maior disponibilidade de hoje deve ser equilibrada com a sustentabilidade para as gerações futuras. É necessário conservar a água disponível, diminuir a procura e aumentar a consciência do carácter limitado dos recursos hídricos. São necessárias estratégias de adaptação sensatas que garantam a subsistência em áreas marginais que sofrem os impactos das variações climatéricas. Devemos disponibilizar aos países em vias de desenvolvimento, onde os problemas da escassez de água se revelam mais prementes, o saber, a capacidade e a tecnologia necessária.
A UNESCO crê firmemente que, se bem que uma rigorosa avaliação científica dos recursos seja um pré-requisito para a formulação e desenvolvimento de políticas sólidas, uma melhor capacidade de lidar com a escassez de água não é alcançável apenas com recurso à ciência e à tecnologia. É necessária uma abordagem multi-disciplinar que tome em consideração a dimensão sócio-económica da gestão da água potável. A educação tem um papel vital na criação de mudanças comportamentais que ajudem a conservar a água. A cultura também desempenha um papel importante na determinação do tipo de medidas de gestão da água e soluções técnicas que se revelem aceitáveis por comunidades específicas. A comunicação é vital para transmitir ao público em geral a importância de preservar os recursos hídricos. A UNESCO, com o seu mandato para as ciências, educação, cultura e comunicação, está colocada num lugar ímpar para liderar essa abordagem holística e multi-disciplinar.
Lidar com a escassez de água é um assunto complexo que exige uma cooperação alargada a todos os níveis da sociedade. As Nações Unidas estão já a trabalhar em conjunto, com a coordenação da UNWater, para desenvolver uma abordagem do sistema que enfrente este desafio. No Dia Mundial da Água, convido todos os outros parceiros e interessados a juntarem-se a nós na elaboração de uma resposta abrangente e global. Façamos da distribuição sustentada e equitativa da água uma prioridade de todos.

Koïchiro Matsuura
Director-Geral da UNESCO
22 de Março de 2007
E agora corram para os dicionários para aprenderem o significado das palavras que não conhecem!

Aprendizes no reino dos Algarves...


E hoje, jovens aprendizes de feiticeiros amoreirenses, vamos todos desejar muita da dita à delegação dos vossos colegas que vai até Vilamoura para participar no 19.º Encontro Nacional de Epileptologia a decorrer entre 21 e 24 deste mês em Vale de Lobo - Hotel Ria Park.

Boa viagem!

22 de Março...

E as celebrações continuam: hoje é Dia Mundial da Água.



As Nações Unidas consideraram este aspecto tão importante que criaram uma organização só para tratar dos assuntos da água: a UNWater. A celebração do Dia Mundial da Água é uma iniciativa que nasceu da Reunião sobre Ambiente e Desenvolvimento (UNCED) de 1992, ocorrida no Rio de Janeiro.
Por resolução, a Assembleia-Geral das Nações Unidas escolheu o dia 22 de Março para esta efeméride. Este dia devia celebrar-se a partir de 1993, segundo com as recomendações das Nações Unidas no capítulo 18 (Recursos de Água Potável) da Agenda 21.
Os Estados-membros foram convidados a desenvolver as recomendações da ONU e promover iniciativas concretas consideradas apropriadas ao contexto nacional de cada um. Em Portugal, cabe ao Instituto da Água coordenar as comemorações oficiais. Passou a ser celebrado regularmente a partir de 1994. Todos os anos, a ONU propõe um tema de reflexão. Aqui vai a lista:

1994 – “Cuidar dos nossos Recursos Hídricos é Tarefa de Todos”
1995 – “As Mulheres e a Água”
1996 – “Água para Cidades Sequiosas”
1997 – “Água no Mundo: Haverá que Chegue?”
1998 – “Águas Subterrâneas: o Recurso Invisível”
1999 – “Toda a gente vive a Jusante”
2000 – “Água para o Século XXI”
2001 – “Água e Saúde”
2002 – “Água para o Desenvolvimento”
2003 – “Água para o Futuro”
2004 – “Água e Desastres”
2005 – “Água para a Vida 2005-2015”
2006 – “Água e Cultura”
2007 – “Lidando com a Escassez de Água”


Portugal, um país virado ao mar, não podia deixar de ter uma série de museus ligados a ele. Por exemplo, em Cascais, existe um: o Museu do Mar - Rei D. Carlos. Conhecem? Aqui ficam algumas sugestões para um fim-de-semana ou umas férias...
Como sabem sem água não há vida mas tudo o que a Bruxa possa dizer é pouco e mal dito. Por isso, aqui ficam, mais uma vez, as palavras de António Gedeão.

SEDE DE ÁGUA

Em vez de morna crisálida
num casulo apoquentado,
antes ser canteiro regado
ao fim de uma tarde cálida.

Num sereno estar profundo,
empapado em poças de água,
que esta sede imensa trago-a
desde o princípio do mundo.

Movimento Perpétuo


LIÇÃO SOBRE A ÁGUA

Este líquido é água.
Quando pura
é inodora, insípida e incolor.
Reduzida a vapor,
sob tensão e a alta temperatura,
move os êmbolos das máquinas que, por isso,
se denominam máquinas de vapor.

É um bom dissolvente.
Embora com excepções mas de um modo geral,
congela a zero graus centesimais
e ferve a 100, quando à pressão normal.

Foi neste líquido que numa noite cálida de verão,
sob um luar gomoso e branco de camélia,
apareceu a boiar o cadáver de Ofélia
com um nenúfar na mão.

Linhas de Força

terça-feira, março 20

21 de Março é um dia rico...

Celebram-se várias efemérides e todas elas nos interessam. Por isso, a Bruxa andou pelas auto-estradas da informação, atirou-se ao teclado, e aqui vai o resultado.

A primeira efeméride:
Em 1999, a UNESCO declarou o dia 21 de Março como o Dia Mundial da Poesia.
O objectivo é promover a escrita, leitura, publicação e ensino da poesia, “conferindo um novo reconhecimento e ímpeto aos movimentos poéticos nacionais, regionais e internacionais.” Pela poesia e o conhecimento das variadíssimas tradições líricas dos muitos povos alcançaremos um mundo melhor.

Vamos ler mais poesia! Os aprendizes da Amoreira, têm ainda uma vantagem sobre grande parte da outra gente: sendo aspirantes a actores podem dar voz aos poetas, lendo-os para que o resto do mundo ouça o que escreveram.


Hoje celebra-se também o Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial.
Em 1960, a polícia da África do Sul abriu fogo sobre uma manifestação pacífica contra as leis do apartheid, tendo matado 69 pessoas. Ao proclamar este dia em 1966, a Assembleia-Geral da ONU pediu à comunidade internacional que redobrasse os seus esforços para eliminar todas as formas de discriminação racial. Sendo que n’A Cozinha existem alguns conflitos entre povos e se referem outros, talvez não seja má ideia pensarem no assunto.
Finalmente, last but not least, é ainda o Dia Mundial da Floresta. Vão até aqui para saber mais um bocadinho sobre esta iniciativa. No fim de contas, precisamos das árvores na cozinha também. Ou como é que íamos arranjar fruta?

E agora, para juntar o útil ao agradável: no ano em que se cumprem 10 anos sobre a morte desse professor e poeta que foi Rómulo de Carvalho/António Gedeão (1906-1997), nada mais apropriado para um blog de escola do que celebrar algumas efemérides com poemas seus. Aqui fica um... e amanhã haverá mais!



POEMA DAS ÁRVORES

As árvores crescem sós. E a sós florescem.

Começam por ser nada. Pouco a pouco
se levantam do chão, se alteiam palmo a palmo.

Crescendo deitam ramos, e os ramos outros ramos,
e deles nascem folhas, e as folhas multiplicam-se.

Depois, por entre as folhas, vão-se esboçando as flores,
e então crescem as flores, e as flores produzem frutos,
e os frutos dão sementes,
e as sementes preparam novas árvores.

E tudo sempre a sós, a sós consigo mesmas.
Sem verem, sem ouvirem, sem falarem.
Sós.
De dia e de noite.
Sempre sós.

Os animais são outra coisa.
Contactam-se, penetram-se, trespassam-se,
fazem amor e ódio, e vão à vida
como se nada fosse.

As árvores, não.
Solitárias, as árvores,
exauram terra e sol silenciosamente.
Não pensam, não suspiram, não se queixam.

Estendem os braços como se implorassem;
com o vento soltam ais como se suspirassem;
e gemem, mas a queixa não é sua.

Sós, sempre sós.
Nas planícies, nos montes, nas florestas,
a crescer e a florir sem consciência.

Virtude vegetal viver a sós
e entretanto dar flores.

Novos Poemas Póstumos (1990)

Chegou gelada mas veio florida...

Hoje de manhã, a Bruxa, depois de ter feito a sua aula de ginástica para desenferrujar de tanta linha, agulha, maquilhagem e penteados, resolveu dar uma volta pela zona de Cascais e Estoril para averiguar da veracidade da declaração oficial do início da Primavera.

Volta por aqui, curva por ali, pára, dispara aquele objecto esquisito que guarda as imagens e... aqui vão algumas.
Há amores-perfeitos,

arbustos de grandes cachos amarelos...






Janelas com glicínias do tempo da minha bisavó...

a explosão amarela de várias acácias e mimosas...




Os jarros dos jardins românticos, cantados pelos poetas...







E a combinação do ultra-Romantismo: o lírio e a saxífraga...

Agora, já podem concluir comigo: a Primavera chegou e anda por aí.


Mas lá que veio geladinha é um facto!